Sabedoria Popular: «Diz-se que caminhar...»
A mais bela metáfora da vida é a de uma caminhada, pois faz-se caminho ao andar, para a frente é que é o caminho, devagar se vai ao longe, e depressa e bem há pouco quem e é mais importante bem viajar do que chegar.
A verdade é que a engatinhar se aprende a andar, caminho começado é meio caminho andado, longa viagem começa por um passo, a légua pior de andar é a de ao pé da porta, antes só que mal-acompanhado, todos os caminhos vão dar a Roma, caminho trilhado não cria erva e o caminho mais curto nem sempre é o mais direito.
Importa não esquecer que barco parado não faz viagem, quem vai para o mar avia-se em terra, muito alcança quem não se cansa, quem corre por gosto não cansa, quem se mete em atalhos não se livra de trabalhos e, por vezes, quanto mais depressa mais devagar.
Efetivamente, a vida dá muitas voltas e não volta atrás, à primeira todos caem, à segunda cai quem quer e à terceira, só cai quem é parvo, quem escorrega também cai, quem vai ao ar perde o lugar, quem não aparece, esquece, quem andou não tem para andar e quem quer vai, quem não quer manda.
É que quem tem burro e anda a pé mais burro é, nem tanto ao mar nem tanto à terra, no meio é que está a virtude, para baixo todos os santos ajudam, os cães ladram e a caravana passa.
Já diz a sabedoria popular: Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és, junta-te aos bons e serás como eles ou junta-te aos maus e serás pior do que eles, anda direito se queres respeito, ao mau caminho dar-lhe pressa e não deixes caminhos por atalhos.
Por isso, é que é essencial recordar que com pão e vinho anda-se caminho, os amigos são como os caminhos: quando se não frequentam, criam espinhos, não cresce erva em caminho batido, indo por caminho reto, de longe se faz perto, a necessidade mete a velha a caminho, cantar andando encurta caminho, quem espera sempre alcança e mais vale tarde do que nunca.