Sabedoria Popular: «Diz-se que a velhice…»

Conto 15 julho 2026  •  Tempo de Leitura: 2

Temos todos grande estima e consideração pelas pessoas idosas. A verdade é que se diz que ninguém quer ser velho mas nem ninguém quer morrer novo, a velhice não presta mas todos a querem, a velhos poucos chegam mas de velho ninguém passa, quem a velho não chegar a vida lhe há de custar, velho que de si cura cem anos dura e a imaginação encanta os moços e a reflexão desencanta os velhos.

 

Dizemos muitas vezes que a velhice é a segunda meninice, a velhice confessada é menos velha, a velhice é a depositária da experiência, um homem velho é uma ruína pensante, a velhice faz o homem prudente, a velhice não está nos anos e a velhice imprime mais rugas no espírito que no rosto.

 

Muitos são os que consideram que juventude leviana faz velhice desolada, mocidade ociosa não faz velhice contente, a mocidade ociosa velhice vergonhosa e trabalhosa, a mocidade descuidada velhice triste, juventude licenciosa velhice penosa. É que uma velhice ditosa é o fruto de uma mocidade regrada e é essencial guardar na mocidade para a velhice.

 

Muitos outros acham que velhice é doença irremediável, velhice é uma estranha enfermidade pois trata-se para a fazer durar, velhice é mal desejado, velhice não tem cura e velhice é o inferno das mulheres. Também se diz que quem envelhece arrefece, o velho e o forno pela boca se aquentam, o velho e o peixe ao sol aparecem, quem se consome velho fica e há que temer a velhice porque nunca vem só.

 

De qualquer forma, reconheçamos que o velho duas vezes é menino, antes velho ajuizado que moço desatinado, depois de velho gaiteiro, velho amador inverno em flor, maluco não fica velho, marido velho é melhor que nenhum e grão a grão enche a galinha o papo e o velho o saco.

Paulo Costa

Conto

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