Sabedoria popular: «Diz-se que o saber...»

Conto 14 maio 2026  •  Tempo de Leitura: 2

Eu sei que pouco ou nada sei, mas já descobri que o saber não ocupa lugar, o saber não pesa na cabeça, quem tem saber tem força, quem não sabe é como quem não vê, a ignorância é a mãe de todas as doenças, ignorante é aquele que sabe e se faz de tonto e do pouco saber vem o muito ousar.

A verdade é que para bom entendedor meia palavra basta, a palavras loucas orelhas moucas, para saber mal antes não saber, onde entra o beber sai o saber, quem está no convento é que sabe o que lhe vai dentro, a quem tudo quer saber nada se lhe diz e três coisas destroem o homem: muito falar e pouco saber, muito gastar e pouco ter, muito presumir e pouco valer.

 

Tenho consciência de que a necessidade aguça o engenho, a noite é boa conselheira, água mole em pedra dura tanto bate até que fura, águas passadas não movem moinhos, cada macaco no seu galho, quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não tem arte e quem muito escolhe pouco acerta.

 

Reconheçamos que nunca é tarde para aprender, anda-se toda a vida a aprender e  morre-se sem saber, a desmanchar e a fazer é que se chega a aprender, quem muito dorme pouco aprende, errando é que se aprende, nenhum pássaro aprende a voar dentro de uma gaiola, cada qual aprende à sua própria custa e não esqueçamos que burro velho não aprende línguas, não tem andadura e, se tem, pouco dura.

 

De qualquer forma, diz o povo: aprende chorando e rirás ganhando, aprende a cair antes de aprenderes a voar, não digas o que sabes sem saber o que dizes e se sabes o que eu sei cala-te que eu me calarei.

Paulo Costa

Conto

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