A mulher samaritana e a água-viva
Crónicas
9 março 2026 • Tempo de Leitura: 2
No Evangelho, deste domingo, encontramos uma mulher sedenta. Não apenas de água, mas de dignidade, de amor verdadeiro, de sentido; e é na relação que se dá o encontro com a fonte da vida.
Jesus, na sua humildade, inicia o diálogo com algo surpreendente:
“Dá-me de beber.” Ele, que é a fonte da vida, pede água.
Durante a conversa, Jesus revela uma sede maior; uma sede de água-viva, que só Deus pode saciar.
A sede que vem do coração.
A sede do encontro com a verdadeira felicidade, do serviço e amor ao próximo.
Uma fonte que jorra do interior de cada um de nós.
Quando a mulher Samaritana encontra Jesus, tudo muda;
De excluída, torna-se missionária.
De envergonhada, torna-se testemunha.
De sedenta, torna-se fonte para outros.
Ela deixa o cântaro — símbolo das antigas buscas — e corre para anunciar: "Vinde ver um homem!"
Todos nós temos “poços” onde buscamos felicidade, sucesso, reconhecimento, relacionamentos e bens materiais.
Nada disso é errado, mas será que é suficiente?
Jesus convida-nos a olhar para a nossa sede, abrir o nosso coração e permitir que ele nos toque e nos transforme.
A Quaresma é o tempo do encontro no poço. É o tempo de ouvir Jesus dizer: “Se conhecesses o dom de Deus…”
A maior e mais bonita sabedoria é aquela que Deus faz brotar do nosso coração.
Ontem, no Dia Internacional da Mulher, podemos refletir neste simbolismo da leitura do Evangelho:
Jesus coloca na mulher o protagonismo, a revelação, a palavra.
Deus confia às mulheres a missão de anunciar, gerar vida, transformar ambientes.
O Evangelho mostra que a mulher não é apenas destinatária da salvação, é anunciadora dela.
Que cada mulher, no lugar onde se encontra, possa descansar em Deus. Se sinta amada, respeitada e chamada por Ele.
Que cada mulher, na sua força, na sua sabedoria espiritual e na sua voz, seja fonte de água-viva para o mundo, abrindo o coração ao amor que vive, palpita todos os dias e que é Deus.
Boa Semana!