Quando largo, descubro quem sou! 

Crónicas 16 fevereiro 2026  •  Tempo de Leitura: 1

Não sou os nomes que me deram,

os cargos que ocupo, 
as histórias que aprendi a contar sobre mim...
Sou um silêncio vivo.
Uma presença suave.
Algo que respira antes das palavras.
 
 
Não sou as opiniões.
Não sou as crenças herdadas, nem os medos aprendidos.
 
 
Sou o espaço onde tudo acontece.
Sou o olhar por trás dos olhos.
Sou o sentir antes do pensamento.
Sou o intervalo entre uma respiração e outra.
 
 
Quando deixo cair as máscaras,
descubro que não preciso provar nada.Não preciso chegar a lugar algum. Já estou.
 
 
Há em mim uma quietude antiga,
uma inteligência silenciosa,
que sabe que o coração bate sem pedir permissão à mente. 
 
 
A minha alma não grita.
Ela sussurra.
Ela vive nos momentos simples e sei que volto para mim, não quando adiciono, mas quando retiro. 
 
 
Retiro camadas.
Retiro expectativas.
Retiro identidades.
Até restar apenas presença.
 
 
E nessa presença,
descubro que nunca estive perdida;
apenas distraída do essencial. 
 
 
A vida insiste em mostrar-me a beleza de toda a aprendizagem. Descubro uma presença maior que me acompanha: entrego, confio e deixo que o divino permaneça em mim. 
 
Boa semana!

Carla Correia

Cronista

Nasceu em 1984. O gosto de pensar a vida e a fé a acompanham desde que tem consciência. Mãe de três crianças que mostram todos os dias a beleza do simples e do amor, que é Deus. Licenciada em Psicologia Clínica, procura servir a comunidade com afeto, esperança e fraternidade.

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