Deus é amor?

Crónicas 18 março 2022  •  Tempo de Leitura: 3

Deus é Amor. Recorda-nos o Evangelista João e tantos e tantas que a ela recorrem para definir Deus.

 

É para mim, e acredito que para muitos/as, a definição mais bela e mais completa de Deus, apesar da sua tremenda simplicidade. No entanto, tenho-me apercebido que às vezes a usamos de uma forma infantilizada.

 

Definirmos Deus como Amor não significa que Ele seja só amor. E muito menos que seja um amor lamechas. Cheio de coraçõezinhos. E, claro, mencionar ainda que Deus será sempre muito mais do que eu penso. Muito mais do que eu imagino. E muito mais do que aquilo que alguma vez conseguirei exprimir em palavras.

 

No entanto, definirmos que Deus é Amor significa que Ele se encaixa num amor à séria. Num amor que em diversas situações não conseguimos compreender, porque muitas vezes (para não dizer sempre) foge à nossa lógica. Sim, porque o amor de Deus é o mesmo que nos pede para amar quem não conseguimos suportar. É o mesmo que nos pede para amar aqueles/as em quem nós achamos que Ele não pode estar. É o mesmo que nos pede para amar aqueles a quem insistimos em manter à parte.

 

Se Deus é Amor, então não pode ser outra coisa senão amor. E isso implica reconhecer o amor de forma adulta. Não significa torná-Lo romantizado, mas reconhecer que Ele habita a história de cada um. Significa ter a capacidade de entender que muitas vezes o amor não tendo resposta, nem solução, deixa-se habitar em presença verdadeira e silenciosa.

 

Deus ser amor, não é pintar o mundo de fantasias e ignorar a realidade de cada um e de cada uma. Deus ser amor é fazermos da nossa história um Evangelho encarnado. É tornarmo-nos Pais e Mães de filhos e filhas pródigas. Sem questões. Sem juízos, mas de braços abertos prontos a tornar a existência de cada um/a num autêntico banquete. Prontos para erguer e recomeçar.

 

Deus é amor. Mesmo. E isso implica estar à séria. Viver à séria. E quando o fazemos isso pode trazer alguma dor. Pode desgastar-nos, mas não nos podemos esquecer que também nos dará vida. E vida em abundância.

 

Deus é Amor, mas não O tornemos fofinho, mostremos antes que é um Amor adulto. E o que é que isto significa? Significa que defini-Lo num amor adulto é reconhecê-Lo como um Deus comprometido, misericordioso e que sempre está!

Nasceu em 1994. É estudante do Mestrado Integrado em Psicologia na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. É acólito e catequista. Adora pensar e pôr os outros a pensar. “Porque nem tudo faz sentido...” é o nome do seu blog e da sua primeira obra literária lançada em 2014. Desbrava um caminho de encontro consigo mesmo, com o outro e com Deus. “Minh'alma anseia por mais de Ti. Meu coração só deseja a Ti. Lembro do dia em que Te conheci. A minha vida mudou. A minha vida mudou.”.

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