Destapar as nuvens da depressão

Crónicas 21 janeiro 2022  •  Tempo de Leitura: 4

Esta semana ficou marcada, infelizmente, pela morte de mais uma jovem que, ao que tudo indica, teria uma depressão. São muitos os casos que já vamos conhecendo em que as feridas da saúde mental vão deixando marcas na sociedade e na vida daqueles que partilham as suas histórias.

 

E a verdade é que este tema, da saúde mental e da depressão em específico, é ainda um autêntico nevoeiro nos nossos dias. Impede-nos de nos ver com clareza. De ser palpável. E, acima de tudo, parece ser demasiado denso para que no nosso país surja uma mudança. Surjam mais respostas para aqueles e aquelas que não estão bem. Ou até mesmo para os que estão para que com a psicoeducação consigam interpretar os sinais e os sintomas e agir precocemente. Ou ainda para poderem conhecer-se de forma mais plena.

 

É bom ver que a preocupação aumenta quando surgem estes casos, no entanto não podemos ficar só por aqui. Nem muito menos agarrarmo-nos às redes sociais com posts extremamente elaborados e bonitos a dizer que "não faz mal não estar bem" ou ainda referir que alguém "não tem de lidar com o peso de existir sozinho/a".

 

Precisamos de dar outro passo. Sim, eu e tu. Todos nós. Precisamos de partir para a ação concreta nos nossos dias e ter realmente a capacidade de nos preocuparmos com os outros. De não nos deixarmos cair pela aparência. De não nos deixarmos ficar pelas palavras, mas enchermos toda a nossa existência com empatia. Respeitando tempos, espaço e dores. Seja qual for a dor. Seja em que formato ela se apresente. Seja porque motivo for.

 

As patologias mentais não se curam só com isto. Estaria a enganar-vos se assim o dissesse, mas termos esta atitude abre a possibilidade de alguém continuar a lutar. Abre a possibilidade de alguém perceber que existe efetivamente uma oportunidade de tudo vir a ser melhor. E, com toda esta nossa atenção, vamos indicando o caminho até aos serviços de psicologia e psiquiatria. Dando-lhes espaço para com a evidência científica e a prática profissional conseguirem recuperar aqueles e aquelas que mais precisam.

 

E precisamos também de falar de saúde mental em espaços religiosos, porque quem passa por problemas de foro mental não é porque está longe de Deus. Nem porque tem pouca fé. Os espaços religiosos devem ter a capacidade de entender e aceitar a dor. Devem ser espaço para aliviar fardos e não para que ele fique ainda mais pesado. Devem ser locais para que todos possam encontrar, juntamente e principalmente com a psicoterapia, o caminho da paz e do encontro com Deus.

 

Seria bom começarmos a ter este cuidado. Em todos os locais da nossa vida. Sabendo respeitar a dignidade de cada pessoa.

 

Hoje, antes de voltares ao mundo, pergunta-te: como tens olhado para ti? Como tens olhado por ti? Como tens olhado para os outros?

 

Os pensamentos de suicídio podem afetar qualquer pessoa, de qualquer idade ou género e em qualquer momento. Telefona a um familiar, um amigo ou usa o número de uma destas linhas. Não há nada de errado em pedir ajuda.

 

Aconselhamento Psicológico do SNS 24 – 808 24 24 24 selecionar depois opção 4

SOS Voz Amiga - Linha de apoio emocional (solidão, ansiedade, depressão) e prevenção ao suicídio – 213 544 545 | 912 802 669 | 963 524 660 (15h30- 00h30)

Nasceu em 1994. É estudante do Mestrado Integrado em Psicologia na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. É acólito e catequista. Adora pensar e pôr os outros a pensar. “Porque nem tudo faz sentido...” é o nome do seu blog e da sua primeira obra literária lançada em 2014. Desbrava um caminho de encontro consigo mesmo, com o outro e com Deus. “Minh'alma anseia por mais de Ti. Meu coração só deseja a Ti. Lembro do dia em que Te conheci. A minha vida mudou. A minha vida mudou.”.

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