Às vezes a vida...

Crónicas 16 julho 2021  •  Tempo de Leitura: 2

Nem sempre a vida é como queremos ou imaginámos. Muitas vezes é um tremendo mistério que por muito que tentemos não conseguimos encontrar respostas. Consegue, em tantos e tantos momentos, tornar-se numa tremenda injustiça que nos faz sentir perdidos de tudo e de todos. Tão perdidos que questionamos o que somos, o que fazemos e o que queremos. Tão perdidos que nem somos capazes de encontrar um sentido para a existência terrena.

 

Às vezes a vida prega-nos partidas. Somos apanhados na curva da maldade e da ingratidão. Somos apanhados em contracurvas que nos deixam completamente mudados. Desacreditados. Chegamos, inclusive, a questionar a nossa própria fé que em tantas outras circunstâncias nos encaminhou e suportou. Nestas alturas, o caminho da vida e da fé, torna-se areoso. Pesado. Torna-se tremendamente desgastante sem uma brisa que nos oriente ou nos alivie da carga de não nos termos encontrado plenamente.

 

Às vezes a vida não tem a vivacidade que nos foi prometida, nem a beleza que nos foi contada. Em muitos dias tem apenas a tonalidade cinzenta de um silêncio que não nos aconchega. Por vezes, o nosso caminhar, reveste-se de inúmeros questionamentos, de incompreensões e de lágrimas que não nos oferecem o alívio.

 

Às vezes a vida é o que não queríamos que fosse, mas isso não significa que tenha chegado ao fim. Pode simplesmente estar a pedir-nos novos rostos. Novos lugares. Novos afazeres. Pode apenas estar a convidar-nos a um descanso mais prolongado. Pode só estar a direcionar-nos para um encontro mais íntimo e verdadeiro connosco mesmos e com Deus.

 

Às vezes a vida torna-se numa viagem sem destino à vista, mas nem assim deixa de perder valor ou dignidade. Nem assim merece ser terminada, mas sim confirmada com esperança, coragem e amor. Às vezes a vida, mergulhada em mistério, pede que arrisquemos na autenticidade de sermos.

 

Hoje, antes de olhares para o teu umbigo, questiona-te: quantos precisam da tua presença para um novo caminhar? Quantos precisam do teu olhar para uma nova fé? Quantos precisam do teu abraço para se sentirem amados e acolhidos? Diz-me, quantos?

Nasceu em 1994. É estudante do Mestrado Integrado em Psicologia na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. É acólito e catequista. Adora pensar e pôr os outros a pensar. “Porque nem tudo faz sentido...” é o nome do seu blog e da sua primeira obra literária lançada em 2014. Desbrava um caminho de encontro consigo mesmo, com o outro e com Deus. “Minh'alma anseia por mais de Ti. Meu coração só deseja a Ti. Lembro do dia em que Te conheci. A minha vida mudou. A minha vida mudou.”.

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