Igreja feminina

Crónicas 16 outubro 2020  •  Tempo de Leitura: 2

Acentuar o feminino e o materno não é apenas buscar um equilíbrio de poderes ou de influências na organização funcional da Igreja. Trata-se é de mudar de paradigma, de mudar o modo de pensar: o mundo não é de quem mais manda, é de quem mais constrói a vida. A liderança eclesial não está fundada sobre a ideia de poder, mas na vida, no cuidado e no serviço”.

D. José Ornelas,

Bispo de Setúbal e

Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa

 

Uma Igreja feminina. É para onde deve caminhar a nossa. Deixar-se tocar por tudo e por todos. Comovendo-se, incessantemente, por aqueles que estão consigo e por aqueles que vão esperando na berma da estrada à procura de alguém que lhes acolha, que lhes abrace, que lhes chame pelo nome.

 

Uma Igreja feminina. Aquela que sabe guardar todas as coisas no seu coração. Uma Igreja pronta a cuidar e não a condenar. Uma casa capaz de nos fazer descansar depois de tantos caminhos perdidos e tortuosos. Um hospital de campanha capaz de sair de si mesmo e ir até às periferias para estar próximo. Para chegar a gente que quer ser gente com a gente.

 

Uma Igreja feminina. Um lar que faz das suas entranhas as suas forças. Uma comunidade que não é capaz de deixar ninguém. Uma Igreja que faz do seu maior poder o serviço aos outros e com os outros. Despojada. Simples. Alegre por sentir que no seu ventre todos têm vida. Todos se sentem corpo integrante.

 

Uma Igreja feminina. De portas bem abertas. Sem olhares que condenam, mas com abraços que nos libertam. Capaz de arriscar na radicalidade, mas não permitindo que se denegrida no radicalismo. Uma Igreja capaz de abraçar a radicalidade do amor. Do amor que sempre está e que não descansa enquanto não nos sentirmos todos amados.

 

Uma Igreja feminina. Uma mãe que nos embala depois de tantas quedas e que nos endireita com o seu acolhimento. Um regaço que nos permite deleitar com a certeza de que jamais caminharemos a sós.

 

Uma Igreja feminina que, olhando para cada um de nós, consiga iluminar as nossas sombras e dar-nos assim a possibilidade de construirmos mais vida sobre as nossas vidas!

Nasceu em 1994. É estudante do Mestrado Integrado em Psicologia na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. É acólito e catequista. Adora pensar e pôr os outros a pensar. “Porque nem tudo faz sentido...” é o nome do seu blog e da sua primeira obra literária lançada em 2014. Desbrava um caminho de encontro consigo mesmo, com o outro e com Deus. “Minh'alma anseia por mais de Ti. Meu coração só deseja a Ti. Lembro do dia em que Te conheci. A minha vida mudou. A minha vida mudou.”.

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