Interioridade, interatividade e oração 2.0, por Antonio Spadaro

A nossa vida espiritual, seja qual for a maneira como se a intenda, mais ou menos religiosa (pensamento, reflexão, meditação, oração) de certeza que é influenciada pela forma em que vivemos em rede.

 

Quem tem experiência de Internet, de facto, está mais predisposto à interação do que à interiorização. E, geralmente, "interioridade" é sinónimo de profundidade, enquanto "interatividade" é, muitas vezes, sinónimo de superficialidade. Então, estamos condenados à superficialidade?

 

Ingenuamente, alguns acreditam que sim. Mas, já Bento XVI escreveu: «Devem considerar-se com interesse, as diversas formas de sites, aplicações e redes sociais que possam ajudar o homem de hoje a viver momentos de reflexão e autêntica interrogação, mas também, encontrar espaços de silêncio, ocasiões de oração, meditação...».

 

É possível conjugar profundidade e interatividade, verdadeiramente? A questão é que nós, habituados à interatividade, interiorizamos as experiências se estivermos em condições de tecer uma relação viva e não puramente passiva, recetiva. Conhecer significa, não apenas aprofundar, mas relacionar as coisas entre elas.

 

A alma também, é um "castelo" feito de estâncias interconexas (como já o dizia Teresa D'Àvila na metade do século XV). Papa Francisco, já há muitos anos falou da teologia, falou da tecnologia "como se". Isto é, dizia que era preciso meditar numa qualquer passagem evangélica "como se" estivesse dentro dessa passagem, projetando com a imaginação, o próprio corpo nesse espaço representado.

 

Portanto, hoje a espiritualidade vive os mesmos desafios da comunicação: ser contemplativos na ação e na interação, evitando ao máximo a oposição entre profundidade e interação, superficialidade e interiorização.

 

A rede é composta por nós entrelaçados. Mas é neste entrelaçar, que existe um nível de profundidade, que é um dos grandes desafios espirituais do homem neste tempo que é o de estar em rede.

 

wired | Imagem: ClicktoPray | Tradução: Paulo VIctória, iMissio]

Antonio Spadaro, sj

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