AIS: «Uma ajuda preciosa»

Notícias 23 setembro 2026  •  Tempo de Leitura: 5

Ajudar a manter as escolas cristãs abertas no Líbano é o objectivo principal do apelo que a Fundação AIS está a lançar aos Portugueses ao longo destes dias. Numa carta enviada para casa de milhares de benfeitores e amigos da AIS, a directora da fundação pontifícia explica que o regresso às aulas “continua a ser uma incerteza” neste país do Médio Oriente, pois a crise económica, a pobreza e a guerra têm deixado “muitas famílias sem condições para suportar as despesas escolares dos seus filhos”.

 

Desde há cinco anos que a Fundação AIS apoia o projecto “Escolas Abertas”, ajudando a minimizar o sofrimento das famílias cristãs libanesas que não conseguem suportar o custo das despesas escolares dos seus filhos. A situação na região continua muito difícil e com o clima de guerra a persistir acentua-se também a pobreza em que vive uma grande percentagem da população do Líbano. Numa carta que por estes dias está a chegar a casa de milhares de portugueses, a directora do secretariado nacional da Fundação AIS lembra esta situação e a necessidade de se ajudar a comunidade cristã no início de mais um ano escolar. “Uma criança não pode esperar que a guerra termine para continuar a estudar”, escreve Catarina Martins de Bettencourt, lembrando que no Líbano, para além da aprendizagem curricular, “a escola católica é também o lugar onde as crianças crescem na fé, recebem formação cristã e se preparam para momentos importantes da sua vida, como a Primeira Comunhão e o Crisma”. Além disso, diz também a responsável, as escolas católicas são um espaço de estabilidade não só para as famílias, mas para toda a comunidade. O que está verdadeiramente em jogo é a permanência dos Cristãos no Líbano. Se as escolas católicas fecharem portas, ninguém permanecerá. O Arcebispo Maronita de Tripoli, D. Youssef Soueif, explica a importância do alcance da ajuda da Fundação AIS: “Este apoio é essencial para garantir a viabilidade das nossas escolas católicas a longo prazo, salvaguardar a continuidade da sua missão educativa e espiritual, e preservar o seu papel único como faróis de luz e de valores cristãos num mundo marcado pela guerra e pela incerteza”.

 

Apoiar 200 escolas e mais de 10 mil crianças

A ajuda da Fundação AIS à Igreja do Líbano tem sido constante ao longo dos últimos anos. Entre os projectos apoiados recentemente estão diversas iniciativas de emergência que beneficiaram 87 escolas e 1250 famílias em várias regiões, nomeadamente Bekaa, Beirute, Baabda e o sul do Monte Líbano. “Este apoio – escreve a directora da Fundação AIS na carta enviada aos benfeitores portugueses da AIS – permite ajudar as famílias a pagar as propinas, manter as escolas em funcionamento, preservar os postos de trabalho dos professores e garantir que as crianças possam continuar a sua educação e formação na fé”. Para o novo ano lectivo, que está agora a começar, a Fundação AIS irá apoiar “cerca de 200 escolas e chegar directamente a mais de 10 mil crianças”, explica Catarina Bettencourt. “Cada donativo é um sinal concreto para que uma criança continuará a estudar e será uma ajuda preciosa para que estas comunidades possam permanecer vivas no Líbano”, escreve a directora do secretariado nacional da AIS no final da referida carta. Exemplo da importância da solidariedade dos benfeitores da Ajuda à Igreja que Sofre, a Irmã Anabel Malabanan, das Franciscanas do Sagrado Coração, relata que quando a sua comunidade religiosa chegou a Menjez, durante a guerra, havia apenas 15 crianças, pois a maioria das famílias tinha abandonado a aldeia. Não havia nada, nem electricidade, nem água, nem sequer estradas dignas desse nome. Mas as irmãs começaram a reconstruir tudo pouco a pouco. Primeiro, uma estrada, depois, a escola, mais tarde um dispensário. E, aos poucos, as famílias começaram a regressar. Agora, as irmãs têm já cerca de meia centena de crianças a seu cuidado, a maioria com necessidades especiais. A história desta pequena comunidade mostra, diz a directora da Fundação AIS, “que uma escola pode ser muito mais do que um lugar de aprendizagem. Pode ser uma razão para ficar”. E isso, no Líbano, nos dias que correm, é mesmo fundamental… Por isso também, tudo o que puder ser feito em auxílio às famílias cristãs libanesas no arranque agora de mais um ano escolar, será sempre precioso…

Fundação de direito pontifício, a AIS ajuda os cristãos perseguidos e necessitados.

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