Missionários Digitais 2026: a Igreja quer aprender a habitar o digital
A 26 de setembro de 2026, Alfândega da Fé receberá o primeiro Encontro Nacional dos Missionários Digitais de Portugal, uma iniciativa que pretende reunir milhares de participantes entre comunicadores, criadores de conteúdos, sacerdotes, religiosos, leigos, movimentos, instituições e projetos católicos. Mais do que um congresso sobre redes sociais, o Missionários Digitais 2026 nasce de uma pergunta cada vez mais urgente para a Igreja: como habitar cristãmente um mundo em que o digital já não é apenas uma ferramenta, mas um verdadeiro espaço de vida?
É nas redes que hoje se constroem relações, se procuram respostas, se formam opiniões, se vivem conflitos, se partilham dores e esperanças. Por isso, evangelizar no digital não pode significar simplesmente publicar mais conteúdos religiosos. O desafio é maior: aprender a estar, escutar, dialogar e criar relações num ambiente marcado pela rapidez, pela polarização, pelos algoritmos e pela procura constante de atenção.
O encontro está diretamente ligado à criação, a 20 de julho de 2026, da Rede Nacional dos Missionários Digitais de Portugal, que se apresenta como uma casa comum para quem vive a missão cristã nos ambientes digitais. A Rede quer identificar projetos existentes, promover formação, acompanhar criadores, estimular colaboração e desenvolver recursos partilhados, prevendo mesmo a criação de um observatório dedicado à evangelização digital. A proposta é aproximar pessoas e instituições que muitas vezes trabalham isoladamente. Esta visão está profundamente alinhada com o apelo do Papa Leão XIV aos missionários digitais e influenciadores católicos, quando pediu à Igreja que aprendesse a “consertar as redes”. Num ambiente onde facilmente se confundem audiência com relevância, seguidores com comunidade e visibilidade com fecundidade, a missão cristã é chamada a construir redes de verdade, amizade, comunhão e esperança, colocando a pessoa acima do algoritmo e o encontro acima da lógica da reação permanente.
O programa de 26 de setembro traduz esta intenção de aproximar diferentes mundos da comunicação católica. A tarde inclui uma conferência magna com o sacerdote mexicano Padre Borre e Mons. Lucio Ruiz, uma das figuras mais ligadas ao desenvolvimento da missão digital da Igreja a partir da Santa Sé. Segue-se um encontro de redações com representantes de vários meios e instituições, entre os quais o Santuário de Fátima, a Agência Ecclesia, a Renascença, a Canção Nova e o Sete Margens.
As MD Talks darão depois voz a diferentes projetos e experiências de presença cristã no digital. O iMISSIO estará também presente. Para o iMISSIO, esta presença não representa apenas uma oportunidade de divulgação. É também uma ocasião para escutar, encontrar outros projetos, partilhar experiência e participar numa reflexão mais ampla sobre aquilo que pode vir a ser a missão digital da Igreja em Portugal.
Um dos resultados potencialmente mais significativos do encontro será a construção do chamado Manifesto de Alfândega da Fé para a Missão Digital, que deverá reunir contributos de comunicadores, instituições, influenciadores e projetos presentes no evento. A intenção anunciada é que esse documento seja posteriormente apresentado à Conferência Episcopal Portuguesa, oferecendo uma visão sobre os grandes desafios da presença da Igreja no ambiente digital.
Entre eles estarão inevitavelmente a formação de quem comunica, a responsabilidade ética, a desinformação, a polarização, a relação entre liberdade e acompanhamento eclesial e o impacto crescente da inteligência artificial. A IA já está a transformar a produção de texto, imagem, vídeo e informação, levantando questões profundas sobre autenticidade, criatividade, verdade e dignidade humana. A missão digital não poderá limitar-se a perguntar como utilizar melhor estas tecnologias. Terá também de perguntar como continuar a colocar a pessoa no centro, como proteger a confiança e como garantir que a tecnologia serve o encontro em vez de o substituir.
O maior desafio dos Missionários Digitais 2026 talvez não seja descobrir como colocar mais Igreja nas redes sociais, mas como colocar mais Evangelho nas relações que construímos dentro delas. Podemos dominar vídeo, fotografia, podcasts, storytelling, redes sociais e inteligência artificial e, ainda assim, falhar o essencial. Porque antes do “digital” vem o “missionário”, e antes da tecnologia vem a pessoa que está do outro lado do ecrã. Evangelizar não é conquistar audiência, acumular seguidores ou vencer discussões. É criar espaço para a escuta, para a verdade, para a beleza, para a esperança e para o encontro. É por isso que a imagem de “consertar as redes” pode tornar-se uma das mais fortes deste encontro: não se trata apenas de melhorar a comunicação da Igreja, mas de ajudar a humanizar o próprio ambiente digital.
No dia 26 de setembro, em Alfândega da Fé, o iMISSIO estará presente precisamente com esse desejo: não apenas falar, mas escutar; não apenas publicar, mas encontrar; não apenas estar nas redes, mas ajudar a consertá-las.