AIS: «A grande surpresa»

Notícias 23 abril 2026  •  Tempo de Leitura: 7

Quando soube que ia para a Islândia, a Irmã Selestina não escondeu a surpresa. A religiosa croata, que até já tinha vivido no Brasil, aceitaria tudo, até que a enviassem para Marte, se por lá a sua congregação decidisse abrir um convento… Mas nunca imaginou ir parar à Islândia como lugar de missão.  É por lá que se encontra e nada arrefece o seu entusiasmo. Nem o clima, nem as longas distâncias que tem de percorrer, nem o facto de haver por ali muito poucos fiéis. Não há contrariedade que tire o sorriso do rosto desta simpática carmelita.

 

“Foi uma grande surpresa!” É a própria Irmã Selestina Gavric a dizê-lo. Quando as suas superioras lhe anunciaram que iria para a Islândia, ficou surpreendida, mas disse logo que sim. A obediência é levada muito a sério pelas Carmelitas do Divino Coração de Jesus. Todas elas estão ao serviço da Igreja como um verdadeiro serviço público. Mandaram-na para a Islândia, iria para qualquer lugar se essa fosse a vontade da sua congregação. “Quando fazemos os nossos votos, pertencemos a tudo o que a nossa congregação vive e faz. Portanto, se construírem um convento em Marte, teríamos de ir para lá, viver lá e trabalhar lá”, afirma com um sorriso doce que lhe rejuvenesce logo o rosto. A Islândia é um país diferente que aparece nos postais de turismo por causa das suas paisagens naturais sublimes, das enormes extensões de terra coberta por neve e a inesquecível aurora boreal. Para quem chega, a primeira impressão deve ser deslumbrante. Mas depois, aos poucos, percebe-se que a Islândia é um país enorme com muito pouca população. Mesmo muito pouca. No total tem pouco mais de 380 mil habitantes e uma área pouco maior do que Portugal. Isto significa que, feitas as contas, tem um rácio de menos de 4 habitantes por km2… Mas como cerca de dois terços da população vive na capital, a cidade de Reykjavík, isso significa também que é possível fazer-se quilómetros atrás de quilómetros sem se ver uma simples pessoa.

 

“Temos de ir ao encontro deles…”

Para quem tem como missão ajudar a evangelizar, especialmente as crianças, há que reconhecer que não é tarefa fácil o trabalho da Irmã Selestina na Islândia. Mas ela nunca se atrapalha. Aliás, já ninguém estranha quando ao longe aparece o seu Nissan azul. A irmã faz às vezes centenas de quilómetros só para se encontrar com uma pessoa, com uma família, com uma criança. É notável a energia que coloca na sua missão de todos os dias. A Irmã Selestina é muito prática e não se intimida com a possibilidade de conduzir sozinha durante horas o automóvel que a Fundação AIS ofereceu à sua congregação. É assim que ela consegue chegar aos lugares mais distantes da sua paróquia que tem, imagine-se… quase 500 km2. Aliás, toda a Islândia tem apenas uma diocese, que tem a sede na capital do país, e quatro paróquias. Todas elas enormes, todas elas com muito poucos habitantes e também muito poucos fiéis. A maioria dos Islandeses pertence à Igreja Evangélica Luterana. Os Católicos são apenas cerca de 14 mil. E é essencialmente com eles que a irmã tem trabalhado. “Tenho visto muitos católicos a afastarem-se da Igreja por falta de contacto pessoal. Precisamos de ir ao encontro deles”, diz a religiosa. “Temos uma família aqui, outra ali. Quando não vejo as pessoas na igreja, mas sei que elas têm um filho de sete anos, por exemplo, vou bater à porta delas”, explica.

 

A um carro azul a lembrar o Céu

E vai, sem medo, com a audácia de alguém que vai vender alguma coisa de porta em porta. Só que ela tem para oferecer um verdadeiro tesouro: a fé. E quando bate à porta, por exemplo dessa família com uma criança, vai logo directa ao assunto: “Vocês têm um filho de 7 anos e são católicos. O vosso filho tem o direito de conhecer melhor a fé. Temos um catecismo para crianças. Estão interessados?” É difícil dizer-lhe que não. É difícil dizer que não a quem faz quilómetros e quilómetros para nos oferecer o Céu. O trabalho da Irmã Selestina – ao todo são apenas quatro religiosas em toda a Islândia – é notável também pela forma aparentemente despreocupada com que encara tudo o que tem para fazer, todas as dificuldades que tem para enfrentar, o Inverno rigoroso, o número muito reduzido de fiéis, as horas a fio ao volante do carro. Nada disso desarma o seu sorriso, nada disso lhe destrói a confiança. Muito do trabalho que estas quatro carmelitas realizam no país só é possível graças ao automóvel que a Fundação AIS ofereceu. E não podia ser um veículo qualquer… Tinha de ser alto, robusto e com tracção às quatro rodas. Tinha de ser um carro capaz de enfrentar estradas cobertas de neve e às vezes caminhos de terra batida. Só não escolheram a cor. Mas tiveram sorte: é azul, para lembrar o Céu que as irmãs ensinam de casa em casa ao longo de quilómetros e quilómetros de trabalho missionário. E a Irmã Selestina não se esquece de agradecer a ajuda que recebeu dos benfeitores da Fundação AIS. “Obrigada, AIS, por apoiar a Igreja na Islândia. E que Deus vos abençoe”, diz, antes de fechar a porta do carro a caminho de mais uma família que precisa de ouvir falar em Jesus…

Fundação de direito pontifício, a AIS ajuda os cristãos perseguidos e necessitados.

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