A ordem mundial
Dizem que a ordem mundial, em que todos nós nascemos e crescemos, acabou. Mark Carney, o primeiro-ministro canadiano e ex-banqueiro central, afirmou-o claramente em Davos, sob aplauso global: “Hoje, vou falar sobre a rutura na ordem mundial, o fim de uma bela história e o início de uma realidade brutal, na qual as relações entre grandes potências se fazem sem quaisquer limites à sua atuação.” (21/jan). A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, repetiu-o na Conferência dos Embaixadores da UE: “A Europa já não pode ser guardiã da velha ordem mundial, de um mundo que já foi e não voltará.” (9/mar).
Que significa isto para a economia? A verdade é que ninguém sabe. Por isso, em vez de entrar em especulações, o melhor é centrar a atenção nas poucas coisas que realmente conhecemos.
Primeiro, a ordem mundial em que todos nascemos e crescemos gerou o período mais próspero e dinâmico da história da humanidade. O mundo cresceu mais e arrancou mais pessoas à miséria nos últimos 80 anos que em todas as épocas anteriores. Isto é verdade em termos materiais, mas também em termos sociais, culturais e científicos. Problemas sempre existiram, e as últimas gerações tiveram a sua quota-parte de desgraças. Ninguém ignora as ameaças. Apesar disso, o sistema implantado no final da II guerra mundial, que perdura há oito décadas, funciona melhor que qualquer um anterior.