A Queda de um Anjo

Crónicas 27 outubro 2019  •  Tempo de Leitura: 3 min

Creio que Deus perdoa sempre. Nada é mais infinito e irreal que isto. A natureza não perdoa. Nós também não, mas Deus sim.

 

Pecamos mesmo sem saber. Talvez pequemos até, só por não pôr Deus no centro, e por essa mesma razão.

 

De variadas maneiras, através de experiências, histórias, conhecimentos, aprendemos que o ser humano realmente tende para algo maior, para Deus. Pela evidência, plasmada na sua vida, sentimos um bem que a terra não compreende. Chamando-lhes Santos. A alguns damos-lhes nomes, outros, existiram para serem conhecidos pelos seus próximos e assim inflamarem os corações de alguns. Se pensarmos em quantas pessoas se converteram por causa de nós, iremos reparar na grandeza, no milagre que é converter um só coração. Estes Santos tiveram sempre lutas. Essa luta, que ainda hoje persiste é contra a massa. A massa existe quando o ser humano tenciona ser uno, quando tenciona cobrir-se de uma igualdade déspota, coisa que não é, coisa que nunca será. Assim, em conjunto, tornamo-nos uma massa homogénea que não é nada, que não tem personalidade, um comunismo da alma por assim dizer.

 

Reparemos nos Santos. Eles sempre se distinguiram da massa. Os Santos são seres humanos que se ligaram a Deus, que Lhe pediram um caminho. Não é interessante que esse caminho nunca foi o das massas? Ainda mais interessante é que estes homens e mulheres, ou mulheres e homens, que atiraram a sua alma aos céus, nunca deixaram de estar presentes no mundo física ou espiritualmente, entre a massa, a falar-lhe, a ouvi-la, a avisá-la, a tratar dela. O caminho era diferente. A alma que se atirou para o céu, estendeu-se e tornou-se universal, tornou-se católica.

 

Vemos uma Teresa Mãe, que, como muitos, trata dos doentes, mas que não o faria nem por um milhão de dólares. Vemos umas crianças pequeninas a rezar numa prisão. Vemos humanos que arriscam a vida para ir à missa. Estes, são humanos do nosso tempo, são homens e mulheres que partilham o sol e o solo connosco. Eles arriscam a vida. Eles, o que nos estão a dizer é “prefiro morrer a não comungar Jesus”. É fé.

 

A par de toda esta luz, interessou-me reparar na maldade de que o ser humano já deu provas. Essa maldade é tal que só está reservada ao ser humano. Temos inúmeras provas disso, também porque, talvez por inveja ou por outra razão, dá-nos mais gosto ouvir as desgraças do que as vitórias. Ainda mais, parece, pela evidência, que o mal bem não se distingue por pessoas, ou seja, não podemos dizer que aquele é mau e o outro é bom. O mesmo ser é capaz de subir as escadas ao Céu ou descer à cave dos infernos. Teremos de escolher. O dom da liberdade traz esse senão.

 

Os anjos não caem. Nós caímos. Este caminho de entrega só poderá ser do tamanho da vida.

Tem 25 anos. É músico e trabalha numa casa de fados como guitarra portuguesa. A terminar o curso de estudos gerais na faculdade de letras. 

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