Corres para chegar ao primeiro ou ao último lugar?

Crónicas 16 outubro 2019  •  Tempo de Leitura: 2 min

“Não é para o primeiro lugar, mas para o último que eu corro”. Foi Santa Teresinha do Menino Jesus a autora desta (maravilhosa) frase. Há muito para escrever e dizer sobre ela, mas, a parte mais importante, já está escrita. É só (querer) ler:

 

Não é para o primeiro lugar, mas para o último que eu corro.

 

Há, nestas palavras, uma novidade extraordinária que nem sempre nos permitimos compreender. O último lugar pode ser válido, pode ser significativo e, mais ainda, pode ser mais importante que qualquer outro.

 

Mas haverá alguém que, no seu perfeito e razoável juízo, queira correr para ficar em último lugar? Haverá alguém que encontre a magia da vitória no lugar que ninguém quer?

 

Há. Há mesmo.

 

Custa-nos a acreditar nisso porque vivemos numa sociedade que nos ensina a querer vencer; a competir; a desejar estar à frente de tudo e de todos. Somos a nossa prioridade e a prioridade são as nossas necessidades, o nosso eu, os nossos sonhos, as nossas coisinhas de todos os dias. Todos os pormenores que contemos são indispensáveis e, além disso, julgamos que o deveriam ser (também) para todos os outros. Primeiro estou eu. Depois, não me interessa muito.

 

Queremos (sempre) os primeiros lugares. O destaque. As luzes. As roupas que nos fazem melhores do que somos. Os sorrisos fabricados. A alegria de vidro.

 

Queremos estar no palco. Queremos os aplausos. As vénias. Queremos ser ouvidos, esperados, notados. No entanto, há quem prefira (ainda assim) o último lugar.

 

Há quem prefira não ser notado e fazer, apenas, aquilo que julga estar certo.

 

Há quem prefira pensar primeiro no conforto alheio e, só depois, no seu.

 

Há quem prefira estar na plateia, onde não estão os artistas nem os famosos. Mas os verdadeiros.

 

Há quem prefira passar despercebido. Correr para ver se consegue chegar mais longe do que ontem e não mais longe do que tu. Do que ele. Do que o outro.

 

Ainda há quem ame os últimos lugares e passe a vida toda a tentar alcançá-los.

 

E tu, corres para chegar ao primeiro ou ao último lugar?

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Marta Arrais

Cronista

Nasceu em 1986. Possui mestrado em ensino de Inglês e Espanhol (FCSH-UNL). É professora. Faz diversas atividades de cariz voluntário com as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus e com os Irmãos de S. João de Deus (em Portugal, Espanha e, mais recentemente, em Moçambique)

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