Conto: OS DINOSSAUROS E A MÁQUINA DO TEMPO

Conto 15 outubro 2018  •  Tempo de Leitura: 5 min

Era uma vez um homem que gostava muito de estudar dinossauros. Desde pequenino se interessara pelos animais que durante mais de 167 milhões de anos dominaram a Terra entre o Triássico e o final do Cretáceo e sabia quase tudo sobre as conclusões científicas dos paleontólogos relativamente às mais de mil espécies de dinossauros herbívoros e carnívoros, bípedes e quadrúpedes que tinham conseguido identificar.

 

Apaixonara-se entusiasticamente pela vida dos dinossauros e o que mais o entristecia era a sua extinção em massa há 65 milhões de anos em virtude da queda de um meteorito. Sabia que ele ao colidir com a Terra, originou uma grande explosão que carbonizou biliões de animais, levantando uma nuvem de poeira tão espessa que bloqueou a luz do sol e transformou o planeta num local extremamente frio. Os efeitos da colisão do meteorito eliminaram quase todas as espécies existentes de dinossauros, à exceção de algumas espécies emplumadas, as aves, que não dependiam das árvores das florestas que haviam sido dizimadas pelo fogo.

 

O homem acreditava em Deus e sabia que nele estava a origem, o sentido e o fim de toda a realidade, mas percebera há muito tempo que o âmbito da Religião não era a explicação científica da realidade. Pensava que as religiões deviam dialogar com as ciências e que a fé e a cultura só tinham a ganhar se caminhassem juntas. Apesar da Bíblia não se ter referido aos dinossauros, o homem sabia que antes de Adão e Eva já havia indubitavelmente imensa vida.

 

Como o grande sonho do homem era conseguir ver dinossauros verdadeiros no seu habitat natural, desde há vários anos andava a tentar construir uma máquina do tempo que lhe permitisse ir ao passado. Depois de muito investimento financeiro e tecnológico, conseguiu dar por concluído o seu inverosímil, excêntrico e mirabolante projeto e, em poucos instantes, fez-se recuar no tempo em várias dezenas de milhões de anos.

 

O homem não cabia em si de satisfação e felicidade. Diante de si uma extensa planície verdejante com um enorme lago azul e majestosas montanhas em toda a volta. Por todo o lado via inúmeros dinossauros e não lhe era difícil identificar os estegossauros, os anquilossauros, os ornitópodes, os ceratopsídeos, os paquicefalossauros, os sauropodomorfos e os terópodes.

 

Facilmente o homem se deu conta dos famosos tiranossauros, com uns 13 metros de comprimento, 6,5 metros de altura e 8 toneladas. Ali, bem à sua frente, alguns dos maiores dinossauros carnívoros, ferozes, velozes e ágeis de todos os tempos. Havia machos solitários e outros que andavam em grupos, tal como havia bandos de fêmeas adultas com as crias.

 

O homem inesperadamente viu-se no meio de impiedosas e hediondas lutas entre tricerátopos, espinossauros, iguanodons, dilofossauros, velociraptores e pterodáctilos e a sua vida correu perigo pois alguns correram atrás de si para o devorar. Então, dois imponentes braquiossauros aproximaram-se e puseram-se entre os predadores e o homem para o proteger e salvar.

 

Os seus corpos enormes com umas 115 toneladas, 15 metros de altura, 25 metros de comprimento e 10 metros de pescoço valeram-lhe a vida. Eram saurópodes que, por serem herbívoros, se alimentavam de umas duas toneladas de plantas diariamente e, por isso, não fariam mal ao homem pois não fazia parte da sua cadeia alimentar.

 

O susto foi tão grande que o homem trepou pelo pescoço de um deles até junto da sua cabeça e ali ficou agarrado até que as coisas se apaziguassem. Quando os braquiossauros se afastaram e foram serenamente comer folhas das mais altas árvores das colinas, o homem conseguiu descer e apressadamente foi procurar a sua máquina do tempo para regressar a casa.

 

Viu, com imensa apreensão, que o engenho que construíra tinha ficado danificado e ficou em pânico com a possibilidade de não mais voltar ao presente. Tinha saudades da família e dos amigos e pediu ao Criador que ajudasse aquela pobre criatura a consertar o equipamento.

 

O homem vivera a melhor experiência da sua vida e sentia-se grato por ter tido a oportunidade única de estar perto dos maiores e mais incríveis animais que o planeta conhecera, mas estava apavorado e arrependido pelo seu atrevimento tecnológico e sentia, como nunca, a fragilidade e a limitação humana. E foi, então, que acordou. Afinal, tudo não tinha passado de um sonho.

Paulo Costa

Conto

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