Patrício, amo-te

Razões para Acreditar 04 janeiro 2019  •  Tempo de Leitura: 2 min

«Um dia da minha vida, ao passar por uma estrada de Buenos Aires, vi uma frase numa parede. Tinta colorida numa superfície sem alma. Três palavras: "Patrício, amo-te. Papá". Nunca me tinha acontecido, em quase 50 anos, ter visto um grafito dedicado por um pai a um filho.»

 

Também gosto, quando caminho pelas ruas da minha cidade, de capturar um fragmento dos diálogos de pessoas, e das frases suspensas imaginar uma história que a elas seja subentendida.

 

Foi o que fez Walter Veltroni com o seu livro “Senza Patricio”, que partiu daquele curioso escrito mural. O político, escritor, jornalista, realizador e antigo presidente da Câmara Municipal de Roma imaginou cinco histórias que poderiam explicar aquela declaração.

 

Não querendo falar dessas histórias, mesmo se a sugestão que aquelas páginas oferecem é muito forte, gostaria, no entanto, de sublinhar um aspeto que vale para todas as relações humanas, ou seja, a necessidade de superar mais vezes o implícito.

 

Quantas vezes deixamos no coração sentimentos que não expressamos, quantas vezes detemos um gesto de ternura e bloqueamos na garganta uma palavra doce e sincera.

 

Talvez o pudor, ou a suspeita de nos excedermos e de sermos mal compreendidos, ou ainda a promessa de o fazermos ou dizermos noutra ocasião façam com que se extingam em nós muitos dons que poderiam tornar mais viva, fresca e jubilosa a nossa ligação com quem está junto de nós.

 

E assim pode acontecer que, após a morte da pessoa que nos é querida ou quando se consuma o afastamento, se lamente o ter ficado calado, o ter negado aquela pequena alegria ao outro, o não lhe ter confessado quanto era importante para nós.

 

[P. (Card.) Gianfranco Ravasi | In Avvenire]

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