A arte dos pequenos passos

Razões para Acreditar 12 março 2018  •  Tempo de Leitura: 2 min

«Não te peço milagres ou visões, mas a força para enfrentar o quotidiano. Preserva-me do temor de poder perder alguma coisa da vida. Não me dês o que desejo, mas o que preciso. Ensina-me a arte dos pequenos passos.»

 

Esta é uma oração aparente mínima, quase sussurrada por um escritor conhecido sobretudo pelo sucesso constante de um seu romance, “O principezinho”.

 

Antoine de Saint-Exupéry, que era também aviador e que morreu em voo em 1914, aos 44 anos, pede a Deus um dom raramente evocado, o da simplicidade e da fidelidade pacata e serena nas pequenas opções de cada dia.

 

É a mesma atitude orante do salmista na deliciosa cena materno-filial do Salmo 131: «Não vou à procura de coisas grandes, superiores às minhas forças. Estou tranquilo e sereno como criança desmamada, nos braços da sua mãe».

 

Estamos nos antípodas do estilo do nosso tempo que prefere o excesso, o grito, a exasperação. Uma atitude que se infiltra também na espiritualidade, com a procura de visões e milagres, com a predileção pelas expressões exteriores e o abandono da paciente e constante formação interior.

 

O desejo vai muito além das necessidades reais e, portanto, queremos ter sempre cada vez mais, tanto no bem-estar quanto no sucesso, e também na religião. Eis, então, a sugestiva expressão do escritor francês: «a arte dos pequenos passos».

 

Em vez de fazer saltos clamorosos e, muitas vezes, ruinosos, é preciso optar por um caminho lento e progressivo. Um passo após outro em direção ao objetivo é muito mais eficaz do que uma corrida desenfreada e extenuante que, no fim, nos deixa à beira do caminho.

 

[P. (Card.) Gianfranco Ravasi | In Avvenire]

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