Firmes na fé

Liturgia 18 maio 2019  •  Tempo de Leitura: 3 min

«Que pedis à Igreja de Deus para o vosso filho?» A resposta surge tantas vezes hesitante e distraída, como se fosse irrelevante, «a fé». Segundos depois, o ministro e os garantes traçam, em silêncio, sobre a fronte daquele para quem se pede o dom da fé, uma cruz.

 

Sobre esse sinal tudo pode ser dito. Para os membros da comunidade crente, ele evoca a manifestação gloriosa de Deus entre os homens. Mas para os não crentes, sobretudo os mais militantes, é simplesmente a memória que deve ser apagada, não apenas das paredes dos edifícios públicos, mas também do universo pessoal, do íntimo de cada homem.

 

Se a adesão do neófito for bem sucedida, isto é, se o sacramento do Batismo não se reduzir a um ato social sem expressão existencial, mas, pelo contrário, e como deve ser, se se tornar o inicio de uma nova «vida em Cristo», então a comunidade dos fiéis poderá desempenhar um papel fundamental na modelação da identidade do novo membro. Ela é a depositária do tesouro da fé que moldou a história dos últimos dois milénios. A fé que fez nascer catedrais e deu o tom para as eternas melodias de Bach, Palestrina, Bruckner... A fé que construiu leprosarias, hospitais e universidades. Aquela que inspirou poetas. A fé corajosa que venceu fantasmas durante as longas travessias dos oceanos e, no calor abrasador dos desertos, ofereceu um oásis itinerante para cada peregrino. A fé, enfim, que nos fez tocar o divino.

 

A mesma fé continua a congregar homens e mulheres nos quatros cantos do mundo. Em cada domingo, como se fosse a primeira vez, eles rejeitam ajoelhar-se diante dos sedutores deuses de cada tempo e entregam-se confiadamente àquele que consideram ser a perfeição do amor de Deus, aquele que é a chave para a ansiada vida com sentido.

 

Como no tempo de Paulo, o desafio é o de «permanecer firmes na fé no meio das tribulações». A tribulação da perda de um ente querido. E da violência. Do sem sentido. Dos muitos sinais que anunciam um amanhã cinzento. Manter a fé no Crucificado, cuja marca eterna continua gravada, desde o Batismo, na fronte. Não a fé barata que procura entretenimento e negligencia as exigências do seguimento. Não a fé doente que nasce do medo e da desconfiança, aquela que impõe ansiosamente soluções defensivas, mas a fé que nos faz tropeçar, amadurecer, retomar caminhos antigos, e prosseguir viagem até à terra prometida.

 

Hoje, de novo, o importante é permanecermos firmes na fé.

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