A opção de Jesus

Liturgia 12 janeiro 2019  •  Tempo de Leitura: 3 min

Há mistérios que só desvendamos «depois», num prolongado «mais tarde», quando já desistimos de reformular pela milésima vez a velha pergunta. Nesse dia, com uma nova serenidade, a resposta surge como dádiva, naturalmente, gratuitamente. Nesse dia, mesmo numa idade muito avançada, descobrimos que nascemos de novo.

 

Procuramos sempre. O tema foi revisto vezes sem fim, mas escapou-nos a chave da compreensão e a realidade misteriosa, a incógnita função – para quê? – ficou por desvendar. Noutro tempo, e só nesse tempo e num lugar indeterminado, tudo poderá ser revelado. Então encontraremos o sentido último e viveremos em paz.

 

Ao revisitar, uma e outra vez, o acontecimento da cruz, os discípulos do crucificado perceberam o significado do Batismo, no rio Jordão, realizado anos antes, por João Batista. No início da atividade pública, Jesus entrou na fila dos pecadores para assumir a culpa da humanidade. Identificou-se com os últimos desde o princípio. Depois caminhou com eles, foi acusado pelos “especialistas da religião” de estar associado a publicanos, de defender mulheres de má vida, de conviver com corruptos, de enaltecer a fé de não-judeus, de tocar o interdito, de fazer perguntas inoportunas e proferir heresias, de recuperar, enfim, os desfalecidos. Não perceberam. Morreu como um criminoso, ladeado por malfeitores, fora da cidade.

 

Aproximou-se voluntariamente. Fê-lo por compaixão. E tornou-se referência modelar, a forma perfeita a partir da qual o discípulo é chamado a (re)conformar-se continuamente. A atitude compassiva do mestre inspirou um grupo de homens. O seu efeito prolongou-se pela história e exerce ainda hoje o fascínio naqueles que o escutam.

 

Depois, nesse indefinido «mais tarde», entre tantas incertezas, avanços e recuos, percebemos que o caminho da felicidade está vedado àqueles que o procuram de um modo egoísta, e abre-se facilmente aos misericordiosos, aos puros de coração, aos pacificadores e aos que assumem a condição de pobres peregrinos neste mundo. Ele já o tinha dito, mas nessa altura não foi compreendido. 

 

Compreendemos, certamente hoje melhor do que ontem, que o seu projeto foi totalmente coerente. O ungido pelo Espírito Santo, o eleito, o «Filho amado» surge, finalmente, depois de tudo, como meta para a qual se encaminha a humanidade. E a opção de Jesus determina as nossas opções. Assim, à medida que o tempo passa, nele compreendemos cada vez melhor o que somos chamados a ser.

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