As roupas da festa

Liturgia 08 dezembro 2018  •  Tempo de Leitura: 2 min

Celebrar faz parte da vida.


Cada celebração tem uma tonalidade própria e obedece a um conjunto de ritos, gestos simples e significativos, através dos quais diversas pessoas são congregadas como se fossem partes de um só corpo, animadas pelo mesmo espírito. A celebração, com o seu ritual constante e bem definido, confere uma identidade, integra o passado no presente e, ao mesmo tempo, determina o futuro. Celebrar é dar sentido à existência, de contrário, os dias seriam consumidos de forma enfadonha e monótona.


Há requisitos mais ou menos explícitos para participar numa celebração. Alguns exigem uma profunda transformação. Mudar de roupa, de hábitos, de linguagem, de atitudes, requer uma vontade firme capaz de determinar um rumo e superar os obstáculos que surgem em todas as partes.


Aproxima-se a celebração do nascimento do nosso Salvador e a pergunta surge naturalmente: estarei devidamente vestido para a festa? O estímulo capaz de despertar a vontade de mudança vem, neste tempo de advento, da voz que clama no deserto. João Batista realizava um rito batismal através do qual o homem, arrependido dos pecados, recebia o perdão purificador e recomeçava uma nova etapa. Desta forma, preparava-se para o acontecimento mais importante da sua vida, o encontro com o Messias, o Rei esperado. João Batista vestido de modo singular presidia a uma celebração que estimulava a renúncia ao traje do pecado como condição para receber as roupas de festa, a indumentária necessária para estar diante do Messias.


Escutemos hoje de novo a sua voz. Ele propõe-nos uma autêntica revisão de vida com um objetivo bem claro: reconciliarmo-nos com Deus. De facto, a festa que se anuncia – a celebração que evoca o nascimento do Salvador e nos faz viver em permanente expetativa do reencontro definitivo com Ele – exige a contenção de gestos e palavras que, em nós, são a causa de sofrimento alheio. Sim, só estamos em condições de participar celebração do encontro de Deus com o homem se aceitarmos recuperar as vestes da graça simbolizadas na cor branca, entregues no dia do nosso batismo.


O advento é o tempo para revisitarmos os armários e as gavetas da nossa consciência à procura das roupas para a festa.

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