AIS: A conspiração do silêncio

Notícias 11 janeiro 2018  •  Tempo de Leitura: 5 min

Crise política prolongada, conflitos étnicos, milícias armadas que semeiam o terror… A República Democrática do Congo vive uma crise humanitária de proporções gigantescas e o mundo parece ignorar o que se passa por lá. Ninguém está a salvo. Nem a Igreja escapa à onda de violência…

 

Ataques a seminários e paróquias, conventos e congregações. Nem a Igreja tem escapado à onda de violência que tem assolado a República Democrática do Congo. De dia para dia, de a situação parece agravar-se cada vez mais. Os números são trágicos e falam por si. Desde Agosto de 2016 o número de deslocados no Congo mais do que triplicou. Estima-se que quase 4 milhões de pessoas terão fugido de suas casas por causa da violência étnica ampliada pela proliferação de milícias armadas que semeiam o terror entre as populações. Na origem desta situação está a crise política causada pela recusa de Joseph Kabila em abandonar a presidência, após 17 anos de exercício do poder e depois de ter terminado o seu mandato. Nem a Igreja tem escapado a este horror. Nos últimos tempos, dezenas de paróquias foram atacadas. Cerca de centena e meia de escolas vandalizadas e mais de três mil e quinhentas casas arruinadas. Calcula-se que vinte aldeias foram praticamente destruídas. É raro o dia em que não ocorre o sequestro e assassinato de crianças, raptos de pessoas, roubos à mão armada e ataques a estruturas da Igreja. Ainda recentemente, a Irmã Vedruna Maria-Núria Solà, que se encontra em Kinshasa, partilhava a sua perplexidade perante o desmoronar da paz neste país africano. “A Igreja fala, escreve e age contra as injustiças, a violência e a ditadura camuflada de democracia”, afirma esta freira carmelita. “A Igreja Católica actua com valentia, continua a denunciar as injustiças e, para ser fiel ao Evangelho, não pode deixar de fazê-lo. O único objectivo é o bem comum da população – acrescenta a Irmã Maria-Núria Solà.

 

Desejo de paz

Também o Padre Apollinaire Cibaka, professor do Seminário Maior de Malole – que foi atacado por milícias rebeldes em Fevereiro – vive a perplexidade de estar num país em profunda crise humanitária e de perceber que o mundo parece não querer escutar os pedidos de ajuda. Como se houvesse uma conspiração de silêncio. “O mundo parece ter-se esquecido do Congo.” No meio do caos, a presença da Igreja Católica neste país é um oásis de esperança. Cada sacerdote, cada irmã é mais do que um simples homem ou uma mulher. Os seus sorrisos são a certeza do sorriso de Deus, são a garantia da ternura de Deus. Com milhões de deslocados, de pessoas em fuga procurando salvar as próprias vidas, com campos de refugiados atolados de homens, mulheres e crianças em lágrimas, a presença destes sacerdotes e destas irmãs é a garantia de que não está tudo perdido. Há dias, o mundo assinalou o nascimento do Menino Jesus. Na República Democrática do Congo, os desejos de paz, saúde e prosperidade são, infelizmente, apenas palavras. Dias antes do Natal, o Padre Apollinaire confessava à Fundação AIS que, apesar de tudo, é sempre possível descortinar uma semente de esperança no meio do caos. “O Congo é um país empobrecido, sem meios para celebrarmos o Natal como nos outros lugares. Mais a mais, vivemos uma guerra silenciosa. Em vez de presentes e do encontro das famílias, muitos de nós estarão a fugir para sobreviver. Mas vamos rezar, pedindo ao Menino Jesus a conversão dos responsáveis pelo nosso infortúnio. É o único presente que pedimos a Deus.” Já estamos em Janeiro, já estamos em 2018. Na República Democrática do Congo continua tudo na mesma, com grupos armados à solta e populações em fuga. O Padre Apollinaire e a Irmã Maria-Núria Solà precisam muito das nossas orações, do nosso apoio.

Vamos ajudá-los?

Fundação de direito pontifício, a AIS ajuda os cristãos perseguidos e necessitados.

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