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Crónicas 12 setembro 2017  •  Tempo de Leitura: 3 min

Volto às minhas crónicas com esta notícia que me surpreendeu e abalou: a morte de D. António Francisco dos Santos. Não que o conhecesse pessoalmente. A única vez que estive "próximo" dele foi neste último São João. Presidiu à celebração eucarística e à respetiva procissão solene das festividades na freguesia de Santo André de Sobrado. Naquele dia 24 de Junho, D. António lá esteve como sempre foi seu desejo estar: «É bispo de todos, mas é irmão com todos.»

 

É esta a imagem que eu tive e tenho de D. António, desde que 'importou' dos nossos irmãos brasileiros a "Cristoteca" e a levou até aos jovens de Aveiro. O que ao longo destes anos fui lendo e ouvindo nos meios de comunicação social ou de amigos que com ele privaram é que era um bom homem, atento a todos e, de uma forma particular, aos mais pobres.

 

D. António foi um homem que não teve medo de estar no meio da gente. São bem conhecidas algumas das suas frases: «Não podemos ser uma Igreja que apenas recebe, que apenas diz ‘vem’. Temos de ser uma Igreja que sabe ir, que sabe estar e que sabe encontrar-se com todos.»

 

Nestes últimos três anos senti que a minha diocese natal vivia um novo impulso missionário. Em deslocações ao norte, nos diálogos que tive com padres e leigos empenhados, partilharam-me que a diocese estava a ganhar uma nova vida. Paulatinamente alguma coisa caminhava. Creio que o D. António respirava daquela "Igreja em saída" que o Papa Francisco tanto apela. «É necessário que a Igreja saiba ir ao encontro de todos, sem medo de perder algo de si.» Fevereiro de 2015.

 

Na partida de D. António para o Pai podemos aprender, ou pelo menos ganhar uma renovada consciência, da necessidade de assumirmos a responsabilidade da nossa vocação missionária. Temos que sair das nossas zonas de conforto e segurança e procurar os lugares onde os seres humanos, homens e mulheres, vivem, sofrem, amam, e anunciar o Evangelho. Devemos renovar o desejo de caminhar como irmãos, companheiros nesta peregrinação que é a vida.

 

D. António era o homem do sorriso para muitos. Porém, a imagem que tenho dele naquela procissão de São João de Sobrado, é a de uma pessoa que olha nos olhos da outra. Esta atitude demonstra frontalidade e humanidade: «Sejamos ousados, criativos e decididos. Sobretudo onde estiverem em causa os frágeis, os pobres e os que sofrem. Os pobres não podem esperar.», disse-o D. António na sua primeira homilia como bispo do Porto, em Abril de 2014.

 

D. António Francisco dos Santos. Obrigado.

 

Requiescat in pace.

 

[Foto: JN]

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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