Diz sim ao amor

Crónicas 11 setembro 2017  •  Tempo de Leitura: 3 min

Somos muito benevolentes com a violência, desculpamo-la muito facilmente. E, todos, somos em algum momento da nossa vida, com mais ou menos intensidade, violentos para com alguém. Há uma música da “Avenida Q” que fala de todos sermos um pouco racistas, assim também é com a violência. Todos fomos violentos em algum momento e com alguma pessoa seja gritando, seja dizendo coisas horríveis, seja fazendo bullying ou de tantas outras formas.

 

Há muitos tipos de violência, com diferentes gravidades e consequências. Porém, todos eles agridem, todos eles deixam marca em nós. Podemos não ver essas marcas, mas existem e têm em impacto em nós. Daniel Comboni falou das pessoas escravizadas como embrutecidas.

 

Quantos de nós não somos embrutecidos?

 

Quantos de nós não temos cicatrizes?

 

É preciso criar a cultura do encontro e a revolução da ternura a que tanto o Papa Francisco nos convida. É preciso abandonar o ciclo de violência porque tal como nos diz Gandhi: “Olho por olho, dente por dente e o mundo acabará cego”. Respondamos à violência com amor. Não há outro caminho: ou somos parte da solução ou parte do problema. Calarmo-nos, ignorar e ser indiferente é ser parte do problema. É tão mais fácil não nos preocuparmos com a senhora que soubemos que sofre violência doméstica. É tão mais fácil ficarmos indiferentes. É tão mais fácil não querer saber da criança que sofre bullying na escola. É tão mais fácil encontrar desculpas como “são crianças” ou “não vai mudar nada” ou “sou eu quem vai mudar alguma coisa?” ou outras tantas. Não fiquemos indiferentes à violência. Não façamos de nós cegos.

 

O papa Francisco disse “na noite dos conflitos que estamos a atravessar, cada um de nós pode ser uma candeia acesa, que recorda que a luz vence as trevas, e não o contrário. Para nós, cristãos, o futuro tem um nome, e esse nome é esperança.”

 

Sejamos candeias na vida uns dos outros. Sejamos luz. Abracemos. Quando quisermos fazer guerra e a violência parecer o caminho mais simples façamos a revolução da ternura com abraços, tempo e silêncio como a 25 de Abril de 1974 se fez uma revolução com flores. Sejamos revolucionários da ternura e comecemos por nós. Amemo-nos, perdoemo-nos e sejamos misericordiosos conosco olhando com amor todas as traves das nossas vistas. Se cada um de nós erradicando a violência de si estamos aos poucos a erradicar a violência do mundo. Digamos sim ao amor.

Paula Ascenção

Cronista

Leiga Missionária Comboniana por vocação. Gerontóloga de profissão. Nasci do amor e fiz d’Ele o meu caminho e missão. O meu lema de vida é “Ama e farás o que quiseres”. Peregrina de mim, viajante da vida, do mundo e das pessoas. Levo o coração como bússola e o amor de Deus como mapa no bolso de trás.

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