Quem é mais feliz? Quem dá ou quem recebe?

Crónicas 15 março 2021  •  Tempo de Leitura: 3

Ao longo da nossa vida, vivemos situações em que damos ou recebemos. Em qual, destas situações, nos sentimos realmente felizes?

 

Sempre aprendi que quem dá também recebe, por isso, podemos ser felizes nas duas situações. Mas mais feliz é aquele que dá, sem esperar receber nada em troca. Mas acaba por receber o melhor presente de todos, que é o agradecimento do outro. Seja um agradecimento em palavras ou em gestos. É dando que recebemos.

 

Não há maior amor do que dar a vida pelo outro. Deus levou este sentimento até ao fim, ao ponto de entregar o seu próprio filho à morte, para demonstrar o seu Amor por nós. Deus é amor! Que sentido damos à palavra Amor? Será um sentimento banal? Ou será “fogo que arde sem se ver”? Amor é entrega, é dar sem esperar nada em troca. Mas no fim receber o maior dos presentes, o Amor do outro.

 

O amor leva à partilha, por isso, sentimos que temos que nos dar. Só assim nos sentimos realizados e completos.

 

feliz_1

 

Há um episódio, na viagem ao Uganda, que ficará sempre guardado no coração. Na hora de almoço, tínhamos algumas crianças a brincar connosco e não conseguíamos ir almoçar e deixá-las ali fora, à espera. Ou seja, iriamos entrar para reconfortar o estomago, enquanto aquelas crianças, que não sabíamos se tinham comido alguma coisa durante o dia, iriam ficar do lado de fora à espera, para voltarmos para as brincadeiras. Algo nos dizia que tínhamos que fazer algo diferente. Até que alguém nos sugeriu, partilharmos o nosso prato com elas. Foi a voz de Jesus que, naquele momento, nos falou. E mostrou que podíamos sempre ser mais.

 

Cada um de nós encheu o prato (mais do que o habitual), sentamo-nos no jardim e convidamos as crianças a sentarem-se connosco. Elas a medo lá se sentaram, esperando sempre que fossemos nós os primeiros a comer. Nesse dia não houve talheres, comemos com as mãos. Para elas era algo novo também, muitas nem entendiam porque o fazíamos, mas aceitaram o convite. Mesmo sem falarmos a mesma língua, sabemos que o Amor é a linguagem universal e então foi possível comunicar. Através de gestos, muitos sorrisos, abraços e beijos!

 

Se fui feliz naquele dia? Nunca tinha experimentado tamanha felicidade!

 

Ser missionário é ser feliz! É dando que se recebe!

Nasci em 1982, a 4ª filha de 6 irmãos. Natural de Sobrado, Valongo. Sou escriturária de profissão.

Somos uma família católica e, os meus pais, sempre nos guiaram no caminho de seguir Jesus, frequentando a catequese e a Eucaristia.

Desde cedo quis ser catequista e quando terminei o percurso catequético, fui catequista. Hoje ainda sou, para além de participar noutros grupos paroquiais.

Sempre tive vontade de partir em missão, muitas vezes o medo ou a insegurança, fizeram me recuar. Não sou pessoa de ter coragem, de dar o primeiro passo. Mas, sempre que via reportagens ou artigos sobre pessoas que partiam em missão, o meu coração “contorcia-se”. Eu sabia que tinha que ir. Em 2017 surgiu a oportunidade de embarcar numa missão para o Uganda e depois em 2018 para Moçambique.

Nestas experiências percebi e aprendi, que sou mais feliz quando faço os outros felizes. Que com pouco posso fazer muito. Não existem barreiras que nos dividam com ninguém.

Ali aprendi quem é o meu próximo! Se o podia ter descoberto aqui na minha paróquia? Claro que sim. Mas estas missões servem para sairmos de nós mesmos e sentirmos a necessidade de ir ao encontro do outro. Num contexto social diferente os nossos olhos “transformam-se” e aprendemos a ver doutra forma.

Posso dizer que fui muito feliz!

Subscrever Newsletter

Receba os artigos no seu e-mail