Adubar a vida com a simplicidade

Crónicas 05 dezembro 2019  •  Tempo de Leitura: 1 min

O tempo apela á ornamentação. Somos levados pelas massas e quando damos conta estamos nós também envoltos em laços, enfeites, papéis de mil cores, luzes cintilantes, e roupa nova para estrear.

 

Os símbolos fazem parte da vida mas tudo aquilo que excede a própria vida e retira a paz desta vida é tudo menos preparação. Breves ou longos, todos os caminhos exigem um início e cabe-nos a nós saborear as veredas que percorremos, sem apressar o fim. E é a possibilidade do que podemos contemplar pelo caminho fora que nos dá a oportunidade de nos encantarmos com as pequenas coisas. A simplicidade sempre foi grande e encantadora. Nada há mais elegante que a ornamentação da simplicidade. E é esta que nos aponta para o essencial, para uma vida sem cosmética nem artefactos, sem adereços. Precisamos urgentemente de beber desta fonte pois é esta que permite a proximidade, a confiança, o diálogo aberto e franco, a transparência. 

 

Tudo o que nos afasta da simplicidade afasta-nos da própria Vida. Esta é despida de marcas e números, mas prenhe de autenticidade. Não acontece por magia, mas é fruto de uma decisão diária e de uma resposta ao que realmente queremos ser com a vida que nos foi entregue. O princípio e o fim da vida são momentos de despojamento e simplicidade: a nudez do nascimento e o suspiro do desprendimento. Porque não decidirmos assim ser em toda a toda vida!?

Cristina Duarte

Cronista

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