1223 - Admirabile signum…

Crónicas 03 dezembro 2019  •  Tempo de Leitura: 3 min

Em jeito de paradoxo gosto de dizer que prefiro o Advento ao tempo de Natal. 

 

Se o tempo de Natal é vivido em duas semanas, o Advento dura quatro. Se o primeiro é "atrapalhado", pela Sagrada Família, pelo Ano Novo (Solenidade da Santíssima Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz), pelo Dia de Reis e pelo Baptismo do Senhor, o segundo, "apenas" tem a Imaculada Conceição, dia em que se monta o presépio, segundo uma antiga tradição.

 

Para mim este detalhe é importante porque, durante as festas natalícias somos assediados por tudo o que é material. É-nos difícil permanecer no que é deveras importante. A festa, os familiares, os padrinhos e afilhados, os amigos, os eventos que se multiplicam pelas praças das aldeias e cidades, pelos teatros e centros comerciais, dispersam o nosso olhar que deixa de ver o essencial

 

O Advento é diferente… Conduz-nos a uma atividade necessária. Quando partilho este tempo com os meus alunos ou com os jovens, tenho o hábito de dizer que esta espera, - Sim, se alguém está para chegar (Advento = Chegada), eu estou à espera. - não é passiva, como alguém que sentado na estação espera que o comboio chegue.

 

O Advento é uma espera ativa! Como o filho espera o pai que trabalha no estrangeiro, limpando o quarto para o surpreender e alegrar, assim deve ser vivido este tempo. Devemos arrumar a nossa vida para acolhermos Jesus Menino.

 

As iluminações e decorações de Natal que começamos a edificar no início do Advento devem ser sinónimo desse arranjo interior! E este arranjo no início do novo ano litúrgico deve ter o desejo de durar até à Festa de Cristo Rei. Caso contrário "esfuma-se" como toda a festa exterior quando voltamos ao quotidiano e as suas rotinas. Por isso é que temos que evitar a dependência destas festas exteriores que nos "dominam" como quaisquer outras substâncias viciantes

 

O Advento é diferente… Com quatro semanas, onde "surge" a Imaculada, leva-nos a uma vida mais refletida, se não nos perdermos nos presentes e nos bens que queremos fazer ver aos outros. A Imaculada Conceição ajuda-nos a olhar e ver o Presépio. Ver que um Deus com toda  a sua Magestade se fez Criança e veio habitar entre nós

 

Não precisamos de gestos arrojados para demonstrar que amamos a Deus! Precisamos, nas rotinas quotidianas, de arrumar sem grandes barulhos e luzes, a nossa vida e ajudar os nossos irmãos a arrumar as suas.

 

O Advento é diferente… Se Deus foi capaz de fazer-se Homem e assim nos elevar à condição divina, também nós, podemos ser capazes enquanto Homens, de ajudar-nos uns aos outros a chegarmos a Deus.

 

Não foi isso o que São Francisco fez em Greccio no ano de 1223? Admirável sinal…

 

Santo Advento.


Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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