Advento e a capacidade de esperar…

Crónicas 26 novembro 2019  •  Tempo de Leitura: 4 min

Dúvida: qual o tema sobre o qual posso escrever hoje? Que assunto é, do meu ponto de vista, mais pertinente? Dúvida… Dúvida… Dúvida…

 

Na verdade, depois da solenidade da realeza de Cristo, que mais há a escrever? Qualquer cristão, que faz a sua caminhada na fé, depois de Cristo Rei de que é que está à espera?... Chegamos ao fim do ano litúrgico! Mas… Continuamos vivos e esperamos algo mais. Vivemos da Esperança! Vivemos da Esperança…

 

Eis que inicia um novo ano (o litúrgico)! Eis uma nova oportunidade para recomeçar! Eis uma nova hipótese de fazer bem as coisas!

 

Se andei até agora a "apostar" numa vida de sucesso, onde o orgulho pessoal ou a vaidade individual "brilhasse", agora posso "emendar" o caminho…

 

É assim a vida. São assim, os caminhos do Senhor! Mais uma oportunidade de "me emendar". Mais uma ocasião de "corrigir trajetos". Eis que se aproxima o Advento

 

E eis aqui algo que me deixa confundido. Depois do Halloween, vejo montras cheias de motivos alusivos ao Natal. Mas que Natal é este? (pergunto-me) Sinto uma sensação de fadiga, com um pouco de tristeza: que frenesim é este?

 

Não vou retomar os discursos que todos os anos, indubitavelmente, voltam à questão da perda de sentido do Natal autêntico. Já sabemos e estamos conscientes de que na cultura ocidental o Natal é para muitos um evento puramente comercial. Aliás, a bondade associada a este momento, está cada vez mais frágil. Se não gosto de alguém ou de alguma coisa, não dou ou não ajudo. Até "arranjo mil e uma desculpa" para o não fazer. 

 

Se aqui "debitasse" sobre o sentimento de paz e harmonia que se vive nesta época… Tão hipócrita! Sim. Passa este tempo e logo voltamos às quezílias do costume.

 

Todos nós temos conhecimento desta realidade. Mas o que mais me assusta é o esvaziamento da espera (que é o Advento) e que anda de mãos dadas com a cultura contemporânea de tempos constantemente acelerados…

 

Isto sim, isto preocupa-me e assusta-me…

 

Não saber esperar deixa-me com medo, também porque, ligado a essa incapacidade vejo uma crescente sensação de insatisfação nas pessoas, que inevitavelmente vem de nunca parar para apreciar a conquista do que era desejado à tanto tempo. E porque tudo ou é alcançado imediatamente ou não vale a pena!

 

Que felicidade é esta? Quando estamos no Natal, esperamos a Páscoa. Quando estamos na Páscoa, esperamos o verão e a praia. Na praia, esperamos a escola ou frio e a neve para ir até à montanha ou chegar ao Natal… E a vida passa e não vivemos nada. Nunca estamos satisfeitos com o momento que vivemos… Não sabemos esperar e por isso, não sabemos contemplar e usufruir do tempo que nos é dado.

 

Ainda esta semana falava com os meus alunos… Querem tudo e "agora". A espera, desespera-os… Nunca satisfeitos… Nunca verdadeiramente felizes.

 

Que tenhamos a coragem de ser. De ser como as meias à lareira, à espera do "presente". Enquanto esperam, contemplam a vida "aconchegadas" pelo calor que sai da lenha em chamas… Elas vivem o momento. Tenhamos nós a coragem de viver cada momento como se fosse o último.

 

Um Santo e Feliz Advento.

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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