O que é a Gratidão?

Crónicas 19 novembro 2019  •  Tempo de Leitura: 3 min

Todos nós passamos por muitos momentos altos e outros tantos baixos. A vida é assim mesmo. Procuro passar aos outros um olhar positivo sobre a vida e os seus problemas: "Depois da tempestade vem a bonança!" - digo-o e repito tantas vezes em tantas situações. Quem acredita em Deus "não tem" outra hipótese. Sabe que "não há mal que sempre dure!"

 

No entanto, não nego, que muitas vezes já me senti perdido. Apeteceu-me desistir de um projeto, de um trabalho, de uma relação ou de um propósito. Já passei por problemas de saúde que me fizeram vacilar na fé. Por isso tenho uma oração que repito inúmeras vezes: "Senhor, eu creio em vós, mas aumentai a minha fé."

 

Deambulando pela internet deparei-me com um vídeo onde uma psicóloga brasileira falava sobre a gratidão. "A gratidão é uma mudança de olhar"! Marcia Luz preocupou-se em demonstrar que estar grato não era uma questão de boa educação, quando se agradecia a alguém por um favor ou um gesto, nem oração, quando se agradecia a Deus por tudo o que se tinha.

 

 

De facto, quando olho para a minha história, sinto-me grato. Inicialmente reconheço que "grandes coisas fez por mim o Senhor", em jeito de oração, no entanto, quando sou mais positivo, parece que a vida corre-me melhor. 

 

Recordo o pote da gratidão da Sílvia. Esta mulher resolveu com o marido que uma boa forma de educar os filhos seria a de colocar todos os dias num pote de vidro o que de bom tinha acontecido. Quando existem muitos eventos a guardar, dialoga-se sobre eles para se decidir quais se devem colocar no pote. Diz ela que este procedimento ajuda a consciencializar toda a família sobre o que de bom habita as suas vidas e a mitigar o que de menos bom acontece. Os filhos crescem num horizonte de otimismo onde o que é bom se deve repetir e o que é mau se deve alterar.

 

Recordo o caminho de Santiago feito por Boaventura. Partiu de St. Jean Pied de Port nos Pirenéus. Dois momentos altos: a meta em Compostela e o momento em que chegou à Cruz de Hierro perto de Ponferrada. Aqui foi deveras emocionante porque todos os peregrinos depositam ao pé desta cruz uma pequena pedra. É um símbolo dos pesos existenciais da vida. Boaventura levou de casa uma pequenina pedra como sinónimo dos sentimentos de culpa do passado, mas ao mesmo tempo, como pensamentos positivos quanto ao seu futuro e dos seus familiares e amigos.

 

«Quando se caminha calmamente; quando se sai de si mesmo e se caminha em direção aos outros, abrem-se os olhos e o coração volta a conectar-se com as maravilhas de Deus. Não podemos recordar-nos de Jesus ficando parados, fechados no nosso pequeno mundo, nos nossos interesses mesquinhos. O cristão é um peregrino, um caminhante, um errante. Jesus disse-nos que Ele é o caminho e para ficar no caminho é necessário percorrê-lo.» Boaventura F.

 

Portanto, a Gratidão é um caminho. É uma mudança de olhar que exige um sair de nós mesmos, da nossa mesquinhez.

 

Bom caminho a todos! Sejamos gratos!

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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