Onde é que tu estás?

Crónicas 08 novembro 2019  •  Tempo de Leitura: 2 min

Onde é que tu estás? Este questionamento deveria acompanhar-te de mão dada. Não para te deixar num estado depressivo e melancólico, mas para te relembrar o valor da tua vida. Devias perceber por onde é que te tens deixado. Onde é que tens deixado semear todos os teus pedaços? Onde é que te tens deixado ficar à espera? Em que sentido se encontra o teu sentido? 

 

Onde é que tu estás? Deixaste para trás esta pergunta com medo de não a conseguires responder. Sentes-te incapaz de a enfrentar e de a levar com os passos da tua humanidade. Para ti restam somente os teus pés atados a uma indignidade que ateimas em colocar em tudo o que és e fazes. Sobra apenas um pouco que não te deixa ser mais do que um louco dentro de ti mesmo. 

 

Onde é que tu estás? Vives num desânimo permanente. A tua felicidade não foi esgotada, mas sim recalcada. Colocaste-a de fora. Perdida de ti, quando devia estar perdida em ti. Procuras, mas não sabes o quê, por isso continuas nesse fingimento de uma azáfama que te parece preencher e realizar, mas quando és confrontado com o silêncio, logo te deixas quebrar e recolhes de novo à tua verdadeira essência. 

 

Onde é que tu estás? Consegues ao menos localizar-te nesta linha do tempo? Consegues ao menos dar-te tempo? Talvez precises desse teu tempo para uma travessia dura, mas plena de ti mesmo. Talvez necessites de te abandonar. Deixares-te ao abandono de ti mesmo. Sem medos, nem receios. Sem máscaras, nem desculpas. Apenas contigo, sem esperares que te apanhem. 

 

Onde é que tu estás? Onde estão os teus sonhos? Onde está a tua alegria? Onde estás tu no meio de tudo o que és e fazes? Se não te deixares encontrar agora com esta pergunta, talvez um dia seja tarde demais para a colocares na mochila da tua vida. 

 

Onde é que tu estás? Não respondas já. Coloca-a em ti. Reza-a e de mãos dadas dá-lhe um pouco de ti! 

Nasceu em 1994. É estudante do Mestrado Integrado em Psicologia na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. É acólito e catequista. Adora pensar e pôr os outros a pensar. “Porque nem tudo faz sentido...” é o nome do seu blog e da sua primeira obra literária lançada em 2014. Desbrava um caminho de encontro consigo mesmo, com o outro e com Deus. “Minh'alma anseia por mais de Ti. Meu coração só deseja a Ti. Lembro do dia em que Te conheci. A minha vida mudou. A minha vida mudou.”.

Subscrever Newsletter

Receba os artigos no seu e-mail