Dia Santo do Fracasso

Crónicas 05 novembro 2019  •  Tempo de Leitura: 3 min

A comemoração dos dias de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos, visam colocar-nos no caminho verdadeiro. Ou seja, são oportunidade de desacelerarmos da rotina do quotidiano e pensarmos seriamente sobre a vida. Melhor. Sobre a minha vida, sobre a nossa vida concreta, pessoal, familiar e coletiva ou comunitária.

 

No mês passado li um texto sobre o “Fracasso”. Na Finlândia existe a “Jornada Nacional do Fracasso”. Realizou-se pela primeira vez a 13 de Outubro de 2010 e foi promovido por estudantes universitários. Estes tinham a consciência que a Finlândia precisaria de milhares de negócios e de empregos no futuro próximo. Porém, o receio de inadaptação, um medo natural, estava a impedir as pessoas de os criarem.

 

A necessidade de vencer na vida fez com que muitas pessoas cheias de talento obtivessem sucesso, mas e em contra partida, com que outras tantas se frustrassem por pensarem-se incapazes ou terem mesmo medo de tentar coisas novas. Os jovens universitários pretendiam assim dizer que o erro e o fracasso fazem parte de uma vida normal e saudável. Em 2011, ao convidarem muitos dos famosos a participarem nesta jornada, continuaram a querer fazer ver que errar faz parte do processo. Aderiram Jorma Ollila, administrador da Nokia; Peter Vesterbacka, criador do Angry Bird e o treinador da equipa de hóquei no gelo, Jukka Jalonen.

 

E assim, pensei eu perante os que já partiram: estes santos, estes defuntos, quantos projetos que não passaram do papel? Quantos sonhos não realizados? Quantos desejos insatisfeitos? Quantos fracassos? No entanto, na fé, sabemos que alcançaram o sucesso. Na fé, acreditamos que todos estão a partilhar da presença eterna da santidade de Deus. E porquê? Porque além do amor de Deus nunca faltar, foram capazes de não desistir. Foram audazes em recomeçar e continuar…

 

Falhar é um dos maiores medos do nosso tempo. Uma sociedade tão competitiva como a nossa dificilmente aceita a derrota. Se isto é verdade, também não é menos verdade que houve homens e mulheres que foram capazes transformar estes fracassos em ocasião de um novo recomeço.

 

A leitura da vida dos santos tem a seguinte beleza: ver que nunca desistiram porque sabiam que Deus também nunca desistiu deles. A memória dos nossos fiéis defuntos tem esta certeza: sempre depuseram a sua confiança neste Deus que todos acolhe por amor.

 

Fracassar não deve ser motivo de vergonha. Antes ocasião de aprendizagem. Uma arte que a sabedoria popular transmitia e transmite com o ditado popular "é errando que se aprende".

 

Não tenhamos medo de errar! Não tenhamos medo de sair da nossa zona de conforto! Aquele que nos justifica, sempre estará connosco.

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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