A fé não é abstrata!

Crónicas 08 outubro 2019  •  Tempo de Leitura: 3 min

Encontro-me num profundo dilema. Escrevo sobre a política ou sobre a fé!? Neste fim de semana ouvíamos os discípulos a pedirem a Jesus que aumentasse a sua fé. Ao mesmo tempo, nesta vida "terrena" fomos a votos. Escrevo sobre a fé em Jesus Cristo ou sobre a confiança nos líderes que nos governam "neste mundo"? 

 

Para alguns parecem realidades muito diferentes. Para outros, muito idênticas. Na verdade, as duas são deveras importantes para as menosprezar no seu conjunto. De facto, Jesus encarnou, ou seja, viveu a nossa realidade e foi a partir dela que nos redimiu. Portanto, somos chamados a participar ativamente na organização do mundo em que vivemos. Curioso é que esse mesmo Jesus pediu-nos para ser sal no "alimento humano". Pediu-nos para sermos fermento na vivência quotidiana do Homem.

 

Com isto quero dizer, que o cristão deve manifestar o seu empenho na governação da sociedade. Seja através do voto, seja através de uma abstenção consciente. Com isto posso "escandalizar" muita gente. Mas uma abstenção consciente, ou seja, quando não me identifico com nenhum candidato e não tenho oportunidade de formar uma organização política para ir a votos, é aceitável. Deve o poder político refletir sobre esta abstenção.

 

Porém, uma "abstenção continuada" já a considero um "alheamento" da participação da sociedade humana. Temos que encontrar tempo para atuar na sociedade humana. É uma obrigação cristã!

 

A fé não é abstrata! A fé transforma o ser humano na sua individualidade e no seu ser em comunidade. Até os monges e as monjas votam. Sim! Eles que vivem em clausura preocupam-se com os destinos da sociedade. 

 

Todo o cristão é sal ou fermento na sociedade. Não apenas no que "diz respeito à igreja". Uma fé que nos desliga das preocupações do mundo, não é verdadeira. Jesus na sua vida não se preocupou com os doentes, com os pobres, com os marginalizados da sociedade? Também nós, que vivemos numa democracia temos a obrigação de estar atentos a quem nos governa. Não só se servem os nossos interesses, mas acima de tudo, se têm os mais fragilizados como principal preocupação.

 

Não foi essa uma das maiores preocupações de Jesus quando "passou pela terra fazendo o bem?". Não sejamos hipócritas mas crentes.

 

A nossa fé "vê-se" na atenção que damos à vivência quotidiana do ser humano. A fé não está desarreigada da realidade, mas "fermenta" o dia a dia de todos e cada um de nós.

 

Cada vez que pedimos, "Senhor aumenta a minha fé!", nada mais queremos que Deus dê sentido ao nosso existir na família, no trabalho ou no encontro com amigos e conhecidos. Ou seja, não pedimos nada mais que, o Senhor dê sentido aos nossos dias nesta terra e "ao mundo que há de vir".

 

É a nossa missão!

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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