XXVII TC: «Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou?»

Crónicas 06 outubro 2019  •  Tempo de Leitura: 4 min

Interrogações… podemos descrever a nossa vida inteira e utilizar apenas interrogações constantes!
Interrogado… por vezes, somos interrogados, por quem mais nos ama, sobre a nossa atitude perante a vida!
Interrogar… noutros momentos, somos nós quem gostamos de interrogar os outros sobre as metas que traçam!
As dúvidas comandam a vida!
Quando não temos dúvidas, basta olhar para o lado, verificar o que fizemos ou o que deixamos por fazer,
que os nossos receios e anseios voltam a habitar no nosso peito!
O que é bom!!! Porque quem pensa que tem os mistérios da vida todos resolvidos,
provavelmente, não encontrou a Missão que Deus, nosso Pai, cuidadosamente, semeou no mar da sua vida!

 

Para os Cristãos, que conhecem 2% da vontade do Senhor da Vida, ver injustiças,
como o trabalho de crianças com 6 anos… deixa-os avassalados!
A dúvida: «Porque me deixais ver a iniquidade e contemplar a injustiça?»
vem como um alfinete que pica e faz doer!
Mas, também traz uma súplica, um pedido de perdão: «Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
«Não endureçais os vossos corações, como em Meriba, como no dia de Massa no deserto,
onde vossos pais Me tentaram e provocaram, apesar de terem visto as minhas obras».
Ainda temos a forte convicção de que quando o mal vence, quando tudo nos sufoca a voz e aperta o coração,
é porque erramos; é porque vocacionamos a fortaleza que Deus nos deu para uma rua sem saída…
Deixamos cair no esquecimento o pedido de S. Paulo:
«Mas sofre comigo pelo Evangelho, confiando no poder de Deus.»
e sentimo-nos abandonados, até pelo Espírito Santo! (Que está sempre com cada um de nós, nunca duvides!)
Ficamos sem saber se aceitamos, naturalmente, o que está acontecer… se viramos as costas a tudo…
ou se levantamos âncora e partimos sem rumo!

 

A Liturgia do 27º domingo do Tempo Comum, do Ano C, anuncia-nos que a Palavra do Senhor permanece,
especialmente, quando tudo está virado do avesso e não encontramos o rumo certo.
Desalentados suplicamos: «Aumenta a nossa fé».
Será que uma súplica basta? Não! Jesus alerta, novamente:
«Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira:
“Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia.”»
Obediência! Fé! Gratidão…

 

Repara…
Quando há sofrimento à tua volta, és aquele que arranca um sorriso de quem sofre?
Quando consegues espalhar essa felicidade, és aquele que assume que devia e podia ter feito mais?
Quando fazes tudo o que está ao teu alcance e ficas cansado, vais pedir mais uma tarefa?
Quando tudo está pronto, rejubilas humildemente,
ou aguardas com desespero o reconhecimento público e as palavrinhas bonitas de gratidão?
«‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’.»
Que dureza… como podemos viver assim? Sempre ao Serviço! Sem receber o que quer que seja…

 

A Obediência que mora no teu coração leva-te a aceitar com Mansidão e Amor o tal projeto,
a TAL Missão, que o Pai traça para ti.
É a Fé quem alimenta e faz crescer essa vontade de permaneceres neste caminho,
e a Gratidão a Deus, por ter uma Missão para ti, devia ser o único rebuçado que anseias!
Mas, sabes? Deus não te vê como um servo… Tu és baptizado… és Seu Filho…
Deus ama-te e dá graças pelo êxito que conquistas na árdua jornada!
Se souberes esperar na retidão… na primeira oportunidade, é o Senhor quem vem em teu auxílio!
Aprende que as interrogações são sempre escutadas pelo Senhor, Nosso Pai,
que as dissipa como o vento afasta do céu azul as nuvens negras!
Não desesperes! Tem FÉ! E… faz do mar um solo fértil e repleto de amendoeiras!

Liliana Dinis

Cronista Litúrgica

Liliana Dinis. Gosta de escrever, de partilhar ideias, de discutir metas e lançar desafios! Sem música sente-se incompleta e a sua fonte inspiradora é uma frase da Santa Madre Teresa de Calcutá: “Sou apenas um lápis na mão de Deus!”
Viver ao jeito do Messias é o maior desafio que gosta de lançar e não quer esquecer as Palavras de S. Paulo em 1 Cor 9 16-18:
«Porque, se eu anuncio o Evangelho, não é para mim motivo de glória, é antes uma obrigação que me foi imposta: ai de mim, se eu não evangelizar. (…) Qual é, portanto, a minha recompensa? É que, pregando o Evangelho, eu faço-o gratuitamente, sem me fazer valer dos direitos que o seu anúncio me confere.»

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