Mostra

Crónicas 26 setembro 2019  •  Tempo de Leitura: 3 min

Se uma parte do mundo não crê porque não vê, simples, mostra.

 

Somos seres sensíveis. De manhã ao acordar vemos, ouvimos, sentimos, cheiramos e o paladar a precisar de escovar os dentes. Experimentamos a vida porque os sentidos levam-nos a um contacto com a realidade material, sendo essa realidade uma força incrivelmente persuasora daquilo em que acreditamos.

 

Mas acontece que nem todos temos todos os sentidos. Os cegos não vêem, os surdos não ouvem, os mudos não falam, e há quem seja insensível ao cheiro, ao toque e ao paladar. Esses possuem uma visão da realidade diferente? Sim, mas por limitada que seja a experiência da realidade material, essa continua a ser uma força persuasora daquilo em que se acredita.

 

As realidades espirituais não se vêem - pensamos -, não se ouvem, ou cheiram, não se tocam ou saboreiam. Por isso, é natural que o desafio de acreditar nelas seja maior. Mas, repara, um pensamento espiritual também não se vê, ou ouve, não se cheira ou toca e menos ainda se saboreia. Para que se veja deves escrevê-lo, e para que se oiça deves pronunciá-lo. Não precisa de todos os sentidos para entrar na realidade material. Basta um. Mas quando entra, a força de um pensamento espiritual pode ser mais forte do que qualquer coisa que exista apenas no mundo físico. Isso significa que mostraste.

 

E Deus?

 

Se não mostrares Deus através do mais pequeno detalhe da tua vida, privas o mundo da sua maior força transformadora. Isto porque Deus transforma tudo a partir do íntimo. É a partir do interior que Ele transforma o exterior. Mas como mostrar? 

 

Podes fazer muita coisa. Elaborar grandes e profundos raciocínios. Podes dar o maior exemplo de rectidão que existe na história. Podes fazer trinta por uma linha e de nada servir porque outros mostram o mesmo sem crer em Deus. O que podes fazer de diferente que mostre ao mundo físico a realidade espiritual e este seja transformado por ela?

 

Podes amar.

 

- “Oh! Qualquer um pode amar!? Não vejo como isso mostre ao mundo qualquer realidade espiritual.”

 

Eu sei. 

 

Que banalidade dizer que amar é o enésimo sentido que liga as realidades materiais com as espirituais. Mas és capaz de amar ao ponto de perderes a ideia de que amar é uma ideia banal? És capaz de amar ao ponto de viver desapegado daquilo em que acreditas, mesmo que isso seja “não acreditar nas realidades espirituais”?

 

Quem realmente ama, mostra.

Professor na Universidade de Coimbra e Doutorado em Engenharia Mecânica pelo Instituto Superior Técnico. Membro do Movimento dos Focolares e coordenador com a esposa das Famílias Novas, expressão dos Focolares para o mundo da família. Pai de 3 filhos, e curioso pelo cruzamento entre fé, ciência, tecnologia e sociedade. O último livro publicado em self-publishing intitula-se KeepUp - Organização do Tempo de Estudo à venda na Amazon. Em filosofia, co-editou Ética Relacional: um caminho de sabedoria da Editora da Universidade Católica.

Blogues: Saber Aprender e  Ciência e Fé. 

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