XIX TC: «Não temas, pequenino rebanho… » - Ano C

Crónicas 10 agosto 2019  •  Tempo de Leitura: 4 min

Espera… enerva-nos e faz-nos desesperar!
Esperar… é algo que está um bocadinho a fugir do nosso controlo (queremos tudo para ontem)!
Espero… atitude e postura correta para aquele que acredita, sem medo, que “quem espera sempre alcança”!
A nossa sociedade acredita em palavras bonitas, como a Esperança, mas não consegue assumir o seu sentido.
O verbo não se transforma em acção pura e forte e a atitude fica no papel até que morre, sem dar fruto…

 

O medo é o maior inimigo para os que não sabem esperar:
Porque podemos perder a oportunidade da nossa vida.
Porque o tempo passa e sentimo-nos incapazes.
Porque já temos o que todos têm e caímos no desalento.
Mas, o principal “porque” é a falta de Deus na nossa vida!

 

«A noite em que foram mortos os primogénitos do Egipto (…) Ela foi esperada pelo vosso povo…»
O nosso tempo, não é o tempo de Deus e precisamos de aprender que tudo chega a nós, no tempo certo!
«A nossa alma espera o Senhor, Ele é o nosso amparo e protector.
Venha sobre nós a vossa bondade, porque em Vós esperamos, Senhor.»
É preciso escolher Ser de Deus, com tranquilidade e perseverança!
«(…)esperava a cidade de sólidos fundamentos, cujo arquitecto e construtor é Deus.»
Nesta espera, despertar a Fé da humanidade é entregar a nossa liberdade nas mãos do Pai e
ambicionar que O Criador nos despose, hoje e sempre!

 

Hoje, a Liturgia do 19º domingo do tempo Comum, do ano C, abandona-nos numa espera festiva!
«Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes.»
O Sentido de permanecer Atento é como uma luz que não tem fim nem se apaga.
Se usarmos como combustível aquela tal Esperança (que não é a última a morrer, porque não morre!);
Se estivermos calmos, confiantes e prontos a dar tudo o que recebemos, sem hesitar;
Se a nossa lista de prioridades estiver bem definida e com todos os pontos concluídos e adquiridos;
O que há para temer? O que nos deixa desesperados? O que nos faz mudar o rumo?

 

Jesus prometeu que regressaria.
Esta luta diária, sem saber se virá ou não, é que nos “faz arrancar cabelos”…
Será que Deus se esqueceu da humanidade? Porque não envia sinais? Porque está tão calado?
Onde está o nosso Salvador, que não O vemos nem O sentimos?
Criamos uma sociedade desatenta aos gestos humildes e à simplicidade com que Deus se revelou, sempre.
Não estamos preparados para ir ao encontro de quem sofre, nem para servir aqueles de quem gostamos menos.
Não queremos um Deus que nos faça esperar,
que nos ofereça uma Missão que é da nossa inteira responsabilidade, por opção própria.
Queremos pedidos atendidos em 5 segundos, como quem nos serve um café…
Queremos objectivos concretos, como o planeamento de mais um ano empresarial…
Queremos certezas absolutas,
como na matemática a soma de uma casa mais uma casa serão eternamente duas casas!
Queremos muito e dar pouco, ou nada!

 

Vamos guardar no coração:
«A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá».
Não negues a tua herança, nem fiques reticente com o te confiaram. Cuida e ama tudo e todos!
Aceita a ESPERA. Organiza o dia de amanhã com as sapatilhas calçadas e com o peito em ardor.
Esta terra é do Senhor Teu Deus! Alegra-te, porque andas distraído, sem pagar renda, e quem sabe…
o Senhor pode chegar ainda hoje e… ainda hoje, terminará a tua espera!

Liliana Dinis

Cronista Litúrgica

Liliana Dinis. Gosta de escrever, de partilhar ideias, de discutir metas e lançar desafios! Sem música sente-se incompleta e a sua fonte inspiradora é uma frase da Santa Madre Teresa de Calcutá: “Sou apenas um lápis na mão de Deus!”
Viver ao jeito do Messias é o maior desafio que gosta de lançar e não quer esquecer as Palavras de S. Paulo em 1 Cor 9 16-18:
«Porque, se eu anuncio o Evangelho, não é para mim motivo de glória, é antes uma obrigação que me foi imposta: ai de mim, se eu não evangelizar. (…) Qual é, portanto, a minha recompensa? É que, pregando o Evangelho, eu faço-o gratuitamente, sem me fazer valer dos direitos que o seu anúncio me confere.»

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