XVIII TC: «…pessoa não depende da abundância dos seus bens.» - Ano C

Crónicas 03 agosto 2019  •  Tempo de Leitura: 4 min

Dependente… aquele que depende de algo ou de alguém!
Dependência… a fórmula mágica que nos prende a certas coisas ou a certas pessoas!
Depender… ato de permanecer acorrentado a bens materiais, a sentimentos bons ou menos bons!
Não queremos depender seja do que for e de quem quer que seja!
A Dependência raramente é positiva e ser dependente retira-nos a liberdade totalmente.

 

Viver para o mundo, para ser reconhecido pelo mundo, é uma dependência:
«Vaidade das vaidades – diz Coelet – vaidade das vaidades: tudo é vaidade
Especialmente, quando o que fazemos é para o nosso interesse, para a nossa realização pessoal,
sem que haja um motivo para a promoção do bem comum.
Caímos no desespero, esquecemo-nos que: «Vós reduzis o homem ao pó da terra…»
Quando pensamos que somos livres, que podemos viver para nós próprios, para atingirmos as nossas metas,
afastamo-nos de Deus, do seu projeto e não somos capazes de concretizar o sábio conselho de S. Paulo:
«…fazei morrer o que em vós é terreno:
imoralidade, impureza, paixões, maus desejos e avareza, que é uma idolatria.»
Fechamo-nos na mentira do brilho do ouro, do ter mais, das riquezas temporais,
que hoje estão no meu bolso e amanhã estarão no teu!

 

Hoje, no 18º domingo do Tempo Comum, do ano C, S. Lucas interpela-nos com a velha questão do Ser ou do Ter!
O que pesa mais na nossa vida: “Eu tenho uma casa com 6 assoalhadas!
Ou: “Eu sou o porto de abrigo dos meus filhos?
O Mestre responde: «Vede bem, guardai-vos de toda a avareza…»
A sociedade em que vivemos abandona-nos neste querer obstinado e louco, da avareza, da vaidade…
Esta dependência mordaz, que é velhinha e acompanha o mundo desde o início dos tempos,
alimenta-se da nossa capacidade de ser mais e mais ambicioso.
Aniquila a palavra “Partilha” do nosso dicionário: «Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo».
Transforma a nossa vida num rebuscado plano que envolve contar algo:
metros nas frações, espigas no celeiro, moedas no mealheiro, sapatilhas no armário,
idas mensais ao restaurante, telemóveis topo de gama, viaturas na garagem…
E… desprezamos que a nossa vida só é nossa, até quando Deus quiser:
«Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma.»

 

Não vivas preso ao tempo que passou, nem ao que já possuíste.
Muito menos penses no que poderias ter tido,
porque o mais importante é o que tens e és agora!
Valoriza o pouco e agradece com o coração aberto.
Aquilo que não te satisfaz a mente, arranca muitos sorrisos na face de tantos insatisfeitos como tu.
O que será mais belo do que o brilho de um olhar?
Reluz muito mais do que um diamante, e é gratuito, genuíno, transparente, quente…

 

Esta dependência humana de livrarmo-nos de Deus, para alcançarmos a velha prisão do consumismo desmedido,
é uma vaidade que exibimos como o maior feito da nossa vida!
Não te juntes a esse metro quadrado da terra.
Amanhã, podes já não estar aqui e «O que preparaste, para quem será?»
Pensa que: O silêncio que fizeste, quando partilhaste a dor do teu amigo, será lembrado.
O beijo, o abraço, o toque, a palavra, o gesto, o teu: “Eu estou aqui!”… esta é a tua herança!
e será uma dependência para quem ficar sem a tua presença!!!
O que tem forma física… será apenas mais um motivo para discutir e perguntar: “Onde vamos colocar isto?”
Mas, o que tu és (o que tu foste para os outros) será sempre a tua maior riqueza aos olhos de Deus!

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