Ainda há quem marche!

Crónicas 12 julho 2019  •  Tempo de Leitura: 2 min

Ainda há quem marche na vida. Há quem se dê ao luxo de sair das suas casas e mostrar que a vida se faz por entre comunhões marcadas ao ritmo de um bairrismo saudável e cheio de vaidade. Existe ainda, entre tantas ruas, quem saia de si mesmo e se disponibilize voluntariamente para que se dê bom nome à vida. Saem à rua e mostram por entre danças, sorrisos e cantorias, que retratam uma tradição vincada pela história, que são capazes de edificar obras de verdadeira humanidade.

 

Ainda há quem marche na vida. Permanecem, nos dias de hoje, homens e mulheres que se juntam não por causa do cotão do seu umbigo, mas para darem a conhecer ao mundo que as mãos quando entrelaçadas formam coreografias de autêntica beleza capazes de rezarem toda a nossa vida. Há, por essa mocidade fora, quem se deixe contagiar pelas tradições de pais e avós que um dia escutaram com atenção e cheios de entusiasmo e hoje, cientes do seu papel, colocam mãos à obra demonstrando de peito cheio e de carinha laroca que todos têm espaço quando se trata de dar um jeito na vida.

 

Ainda há quem marche na vida. Encontra-se quem se dê totalmente em decorações vivas e cheios de feitios para que nessa igualdade todos percam o seu feitio. Não se trata de uma anulação, mas de uma confirmação de que haverá sempre um bem maior que nos fará tirar máscaras e falsidades. Acha-se quem deixe coser de novo o seu coração tratando as suas feridas numa terapia à moda antiga sustentada na ciência do convívio e da partilha que não deixe qualquer vazio por preencher.

 

Ainda há quem marche na vida para que possa sentir-se, na vida de todos os dias, verdadeiro campeão. Campeão que não se satisfaz com as suas vitórias, mas sim com as conquistas de tudo e de todos!

 

Dedico este texto a todos os participantes dos Cortejos Etnográficos de São Romão do Coronado, que já participaram ou irão participar, pela forma bonita como dão bom nome à vida, à tradição e à união. Obrigado pelo vosso testemunho!

 

[Fotografia de ©Joaquim Manuel Ramos]

Nasceu em 1994. É estudante do Mestrado Integrado em Psicologia na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. É acólito e catequista. Adora pensar e pôr os outros a pensar. “Porque nem tudo faz sentido...” é o nome do seu blog e da sua primeira obra literária lançada em 2014. Desbrava um caminho de encontro consigo mesmo, com o outro e com Deus. “Minh'alma anseia por mais de Ti. Meu coração só deseja a Ti. Lembro do dia em que Te conheci. A minha vida mudou. A minha vida mudou.”.

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