Quem me traz uma vida nova?!

Crónicas 10 julho 2019  •  Tempo de Leitura: 1 min

Tragam-me a honestidade de quem não tem medo de dizer o que pensa.

Tragam-me a transparência de quem diz sempre o que pensa da mesma maneira, à frente de quem for.

Tragam-me a capacidade de preferir dizer tudo em voz baixa. Principalmente as verdades mais difíceis ou as palavras-pedras que, às vezes, teimam em trepar pela garganta.

Tragam-me água fresca para apagar todas as raivas que o mundo quis acender e atear dentro das minhas veias.

Tragam-me a força para não me conformar. Para não fazer como dizem os livros. As notícias. Ou os outros.

Tragam-me a coragem para olhar dentro dos olhos de quem fala comigo.

Tragam-me a destreza para escapar das guerras que existem à minha volta e não façam do meu coração uma trincheira.

Tragam-me a paciência para esperar pelo que há-de ser novo.

Tragam-me vontade de ser página inaugurada.

Tragam-me desse brilho que vi nos olhos das crianças que não tinham nada e, ainda assim, tinham tudo.

Tragam-me a força que têm as ondas quando nos fazem estremecer as pernas e a vida.

Tragam-me só o que eu precisar para ser melhor e para fazer mais.

Preciso tanto do que ainda não tenho.

Tragam-me uma vida nova. Ou duas. Para eu poder escolher com qual quero ficar.

Tragam-me tudo ao mesmo tempo. Eu depois logo vivo. Devagarinho. Como quem ainda tem tudo para aprender.

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Marta Arrais

Cronista

Nasceu em 1986. Possui mestrado em ensino de Inglês e Espanhol (FCSH-UNL). É professora. Faz diversas atividades de cariz voluntário com as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus e com os Irmãos de S. João de Deus (em Portugal, Espanha e, mais recentemente, em Moçambique)

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