Amar cura

Crónicas 08 julho 2019  •  Tempo de Leitura: 2 min

Quantas vezes engolem a nossa dor? Quantas vezes deixam em espera o nosso sofrimento? Seja porque precisamos de ir, porque alguém nos espera ou porque temos um compromisso inadiável. Quantas vezes sentem que a vida nos pede que sejamos pilar? Que demos segurança e conforto? Quantas vezes o fazem desfeitos? Quantas vezes confortam os outros, quando ainda tentamos repetir-nos que está tudo bem e que vai ficar tudo bem?

 

Viver envolve um carrocel de emoções e vivências para os quais nem sempre estamos preparados de tão inesperados que por vezes são. Mesmo que haja uma escola de emoções que nos prepare para a vida ia-nos custar, ainda assim ia doer, ainda assim iam haver momentos em que simplesmente não sabemos que fazer, que dizer ou como confortar. Há que aceitar que há momentos que simplesmente nos deixam palavras. Há que aceitar que talvez simplesmente não existam palavras para esses momentos. Há que compreender que para esses momentos existem os gestos.

 

Alberta Camus diz-nos “não caminhes atrás de mim, posso não saber guiar-te. Não caminhes há minha frente posso não querer seguir-te. Caminha ao meu lado, sê meu amigo”. Às vezes tudo o que necessitamos não é de saber que vai ficar tudo bem mas saber que temos alguém ao nosso lado a cuidar-nos, amar-nos. Às vezes tudo o que precisamos é de alguém que caminhe connosco e seja nosso amigo. Às vezes tudo o que precisamos é de alguém com quem dividir o sofrimento, alguém que nos escute e que fique ao nosso lado. Às vezes tudo o que precisamos é de ter alguém por perto. Só ter. Só precisamos de ver alguém a cuidar-nos, a mimar-nos a amar-nos. Às vezes só precisamos de sentir que somos amados. Às vezes só precisamos de nos sentir amados por Deus através de quem nos rodeia.

 

Deus criou os gestos de carinho e de afeto para podermo-nos comunicar quando nos faltem as palavras. Por isso existem abraços que curam feridas, beijos na testa que medem a febre e cafunes que são analgésicos para a nossa dor.

Paula Ascenção

Cronista

Leiga Missionária Comboniana por vocação. Gerontóloga de profissão. Nasci do amor e fiz d’Ele o meu caminho e missão. O meu lema de vida é “Ama e farás o que quiseres”. Peregrina de mim, viajante da vida, do mundo e das pessoas. Levo o coração como bússola e o amor de Deus como mapa no bolso de trás.

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