Nascemos para amar

Crónicas 01 julho 2019  •  Tempo de Leitura: 3 min

Às vezes julgamo-nos o centro do mundo. Não é sempre mas há dias e momentos em que tudo o que vemos nos outros são os defeitos, os erros e as imperfeições. Nesses momentos talvez em silêncio nos repitamos: “ainda bem que eu não sou assim!” Da nossa altivez como que agradecemos sermos diferentes. E somos. Mas ser diferentes não significa que sejamos maiores. Todos, mesmo todos, nos igualamos na pequenez. Todos somos da mesma altura. Todos temos dias difíceis, horríveis e tempestuosos em que só queremos voltar ao colo da nossa mãe. Todos temos momentos e dias em que a nossa cama parece o melhor sítio para se estar porque lá fora é duro demais, perigoso demais e nós afinal de contas nem sempre somos as mulheres corajosas também somos, às vezes, as crianças que precisam de colo e de abraços. Todos somos imperfeitos na mesma medida. Todos somos feridos. Todos estamos quebrados. Talvez não neste agora mas em algum momento. Todos temos as tentações de nos deixarmos cair, de desistir e deixar que a vida, o tempo ou algum tipo de providência, nos venha resolver a vida, nos venha corrigir os nossos erros, dar soluções aos nossos problemas. Todos sonhamos com o dia em que Deus dará e assim fácil e simples nos chovessem do céu respostas.

 

Mas não. Deus dá mas és tu quem procuras, quem se aproxima. A vida resolve-se mas és tu quem tem de estar atenta aos sinais, o tempo ajuda mas és tu quem caminha. Somos nós. Somos sempre nós como família, como comunidade, como grupo. Somos nós acompanhados e necessitados uns dos outros na mesma proporção. Somos nós peças de puzzle nascidas para se completar, nascidas para crescer juntas. Somos nós iguais de tamanhos nascidos para caminhar de mãos dadas. É a vida a dar-nos constantemente lições de humildade. Somos nós nascidos para aprender, nascidos para nos apoiarmos mutuamente. Somos nós nascidos uns para os outros. “Ninguém é tão ninguém que não precise de alguém”porque a felicidade só é real quando partilhada. E a tristeza tal como as dificuldades só são ultrapassadas quando vividas em conjunto como comunidade de amor e de fé reunida e criada por Deus. Somos nós nascidos incompletos para nos podermos completar-nos nos outros e no mundo.

Paula Ascenção

Cronista

Leiga Missionária Comboniana por vocação. Gerontóloga de profissão. Nasci do amor e fiz d’Ele o meu caminho e missão. O meu lema de vida é “Ama e farás o que quiseres”. Peregrina de mim, viajante da vida, do mundo e das pessoas. Levo o coração como bússola e o amor de Deus como mapa no bolso de trás.

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