Ficar com a vida à soleira da porta

Crónicas 27 junho 2019  •  Tempo de Leitura: 2 min

Lembro com saudades as noites quentes de verão,

em que os encontros se davam á soleira da porta.

Ali, até ao começo do correr da brisa suave noturna,

passávamos horas entre conversas, riso e a oração do terço. E a contar as estrelas.

 

O céu é sempre lindo, mas em noites de verão tem um brilho intenso e especial.

E os grilos cantavam. E a lua brilhava. E as crianças ainda jogavam à bola na rua.

 

A soleira da porta é um lugar que tocamos para entrar e para sair.

Nem sempre um lugar muito bem definido quanto ao movimento de ir e vir...

As soleiras das portas são os lugares de quem sai,

mas também o lugar do volta-a-trás e o lugar de quem entra.

As soleiras das portas se são lugares de memórias são também expressão do que é a vida humana.

 

As soleiras podem ser também lugares da indefinição e de indecisões, em que não se entra com a vida toda e não se sai com a vida toda. E sabemos que a vida reclama a vida toda da mesma forma que sabemos que uma casa não termina na soleira da porta.

A soleira da porta é um convite a decidir para onde caminhar: se entramos ou se saímos.

A soleira da porta convida-nos a escolher: a intimidade e o recolhimento ou o barulho e o frenesim constante.

A soleira da porta leva-nos a entender que há momentos na vida em que é essencial mudar de (l)atitude.

E às vezes, curtos ou longos mas firmes e sólidos , os passos que nos distanciam de uma vida plena só precisam de atitude.  

Cristina Duarte

Cronista

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