Não acredites em tudo o que (te) dizem!

Crónicas 12 junho 2019  •  Tempo de Leitura: 2 min

Tenho pensado sobre a influência que os boatos e os rumores têm (e podem ter) na nossa vida. De repente, alguém se aproxima para nos contar um segredo, uma história que devemos guardar ou um episódio sobre uma vida que não é a nossa. Quem não se reconhecer nestas primeiras três linhas, pode ir já parando de ler uma vez que as restantes não farão grande sentido.

 

Lá está. Cá estamos todos no parágrafo seguinte porque não deve haver NINGUÉM que não seja capaz de decalcar, para si, o que acabo de descrever acima.

 

Confesso que me assustam, bastante, os perigos das histórias que nos contam. Do diz-que-disse; do tenho quase a certeza que foi isso que ouvi; do estou segura de que foi isso que vi; ou ainda do tens que acreditar em mim, foi isso mesmo que me disseram. Vamos vivendo do que nos contam. Sobre isto, aquilo, sobre este ou aquele. Vamos concluindo e julgando com base em rumores que não parecem ser mais do que palhas ao vento ou pontas soltas. Chegamos a cortar relações com A ou B e a mudar a nossa atitude relativamente a C ou a D porque soubemos de uma versão deturpada desta ou daquela história. Porque soubemos de uma versão deturpada desta ou daquela pessoa.

 

Quantas vezes somos capazes de não ser preguiçosos a ponto de nos deixar convencer? Quantas vezes ousamos ouvir sem nos deixar influenciar? Quantas vezes conseguimos ter a capacidade de estar perante um rumor ou uma versão de uma história sem a beber como verdade?

 

Não te esforces. Eu respondo por ti: poucas. Muito poucas. Ínfimas vezes.

 

Talvez valha a pena pensar de que forma queremos ser marcados pelo que nos dizem. E de que forma queremos ver e entender aquilo que nos dizem. Uma coisa será OUVIR. Outra será tomar como certo ou como verdade.

 

Não digo que deixes de ouvir quem quer falar contigo ou partilhar com o teu coração uma ou outra história. Ainda assim, se essa uma ou outra história tocar a vida de alguém, não julgues. Averigua primeiro com o protagonista. Com a personagem principal. Os narradores nem sempre sabem tudo e, às vezes, só contam o que lhes convém para que a história pareça mais bonita. Ou menos. Depende da intenção!

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Marta Arrais

Cronista

Nasceu em 1986. Possui mestrado em ensino de Inglês e Espanhol (FCSH-UNL). É professora. Faz diversas atividades de cariz voluntário com as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus e com os Irmãos de S. João de Deus (em Portugal, Espanha e, mais recentemente, em Moçambique)

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