Esperança em «dose dupla»!

Crónicas 4 junho 2019  •  Tempo de Leitura: 3

Estamos a chegar ao fim do Tempo Pascal. A Ascensão do Senhor e o Pentecostes, são as duas Solenidades que encerram este tempo de alegria mas sobretudo de esperança. E esta em "dose dupla"!

 

Em primeiro lugar, é Esperança porque com a Ascensão sabemos que a nossa vida terrena não é o fim do caminho.  Em segundo, porque o Pentecostes revela-nos que não estamos sozinhos aqui.

 

Ao contrário da vida terrena, muito concreta, direi até visceral, porque sentimos na carne e no nosso íntimo as alegrias e as tristezas, os sorrisos e as lágrimas, a vida no céu não é uma vida na atmosfera ou numa outra galáxia. É curioso que só Lucas e Marcos e, consequentemente, os Atos dos Apóstolos, narram a Ascensão. Parece, no dizer de alguns teólogos, o ato final da Páscoa: Jesus ressuscitado readquire o glória divina que lhe é devida enquanto Filho. Esta descrição de "subir ao céu" é típica das tradições religiosas antigas. Também para o Judaísmo, a residência de Deus é sobre os céus. Por isso é que o ser humano, finda a vida na terra, também quer "subir" ao céu.

 

Os evangelistas Mateus e João ficam pela Ressurreição. Mas podemos dizer que, se na Páscoa já está a glorificação de Jesus, na Ascensão explicita-se essa mesma glorificação. Portanto, esta subida não aconteceu como que fosse um voo de Jesus, mas um acolhimento definitivo por parte de Deus Pai, que o fez ressuscitar dos mortos.

 

Esta análise dos texto bíblicos é importante, porque temos que dar o nosso máximo neste mundo, seja no anúncio da Palavra, seja no testemunho de vida. Muitos vivem "poupando" o corpo porque parece que precisam dele para este "voo final", uma espécie de novo catarismo.

 

O olhar o céu quer dizer que todos nós crentes devemos estar em constante procura de Jesus que foi para junto de Deus depois de ter estado connosco.

 

A Solenidade de Pentecostes ajuda-nos a olhar para a terra! São muitos os desafios para o cristianismo de hoje. Impulsionados pelo sopro do Espírito do Ressuscitado somos todos chamados a enfrentá-los. Como brisa suave, ou como um vento forte, o Espírito impele-nos para fora do Cenáculo, ou seja, para fora das nossas igrejas e das nossas comunidades, a dar sentido à vida! A dar Esperança ao mundo!

 

É urgente! Questionam-nos os refugiados. Questionam-nos os cristãos perseguidos. Questionam-nos os povos oprimidos e explorados pelos opressores e exploradores. Questionam-nos os jovens desorientados. Questionam-nos as vidas abortadas. Questionam-nos os doentes dependentes…

 

Que o Espírito Santo nos transforme em portadores de Esperança a este nosso mundo, para que assim, todos possamos "subir ao céu".

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

Subscrever Newsletter

Receba os artigos no seu e-mail