Quando ajudar é uma arte

Crónicas 16 maio 2019  •  Tempo de Leitura: 2 min

Somos seres interdependentes. É pensar que desde a fecundação precisamos uns dos outros para a nossa existência e vida. ´

 

Ainda assim, insistimos tantas vezes em viver separados uns dos outros, mergulhados na autossuficiência e na vaidade de que sozinhos conseguimos tudo.

 

O norte existe em função do sul e vice-versa.  Uma mãe porque há um filho, um neto porque há um avô, um paciente porque há um médico, um aluno porque há um professor.

 

Em cada dia usufruímos do serviço, generosidade e entrega genuína de tantos. O pão que saboreamos quentinho com manteiga ao pequeno almoço, deu tantas voltas até chegar à nossa mesa. E quantas vezes sem que conheçamos a pessoa que o fez, até ele chegar até nós.

 

A riqueza da vida é esta interdependência, sem que isso nos torne seres demasiado subordinados e incapazes de assumir responsabilidades e tomar decisões. Porém, esta interdependência torna-nos mais humanos, pois, mais do que para viver em sociedade fomos criados para viver em comunidade e isso traz em si a proposta de colocar tudo em comum: os nossos dons, os nossos bens, a nossa vida.

 

A linguagem que melhor entendemos é a linguagem de quem se aproxima de nós e nos levanta do chão, nos ajuda a carregar as dores dos nossos inúmeros (re)nascimentos, se alegra com as nossas superações, nos incentiva a caminhar para a frente, nos devolve o encanto pela vida, nos faz acreditar que amar sem cobrar é possível, pois essa é a linguagem do testemunho. É a mais credível.

 

Ajudar é uma arte. A arte de elevar cada pessoa ao seu expoente máximo, à sua melhor versão, na certeza de que somos mais inteiros e mais felizes quando nos comprometemos uns com os outros.   

Cristina Duarte

Cronista

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