Arrisca ser feliz, arrisca amar

Crónicas 25 março 2019  •  Tempo de Leitura: 2 min

A felicidade em mim envolve esta contradição de estar triste e ainda assim sentir-me agradecida por tudo o que me rodeia. Nem todos os dias são de felicidade plena. Os dias são povoados de vida e por isso é normal sofrer ao ouvir uma história triste, alegrar-me porque a outra senhora que visitámos melhorou e no caminho para casa chorar a rir com alguma piada que ouvimos. Ao chegar a casa depois de um dia tão cheio de emoções em que fui da tristeza, passei pelo sofrimento, à alegria e euforia concluo que o fio condutor de todo o dia foi o amor. Em cada minuto do dia senti-me amada, amei. Em cada momento do dia senti-me plena, entreguei-me, amei.


Há uma frase que diz que “faz um trabalho que amas e não trabalharás um dia na tua vida”.Eu vivo. E, sim, canso-me, esgoto-me e sinto-me profundamente frágil. Descanso. Respiro. Relembro o quanto sou amada por Deus, pelo mundo. Relembro que não há erros neste amor. Confirmo que tudo o que preciso é ser Paula e que Deus me ama assim tal e como sou sem exigir que mude. E, durmo sabendo que por maior que pareça o desafio ou o obstáculo certamente: “amanhã o sol brilhará”. Amanheço com o dia. E, com o amanhecer nasce uma nova oportunidade de ser feliz, de amar, de caminhar, de fazer diferente. Assim é a missão. Assim é a vida. Entrega. Entregares-te a cada passo, a cada pessoa e em cada acontecimento. É este viver pleno de amor que te despe de tudo, que te expõe, que te fragiliza mas que te faz ser mais e melhor a cada dia que passa.

 

A felicidade é este equilíbrio entre o sofrimento e alegria, lágrimas e consolo, entusiasmo e sofrimento. Ser feliz é viver dançando numa corda bamba onde tens essencialmente duas opções: viver com medo de cair ou arriscar dançar enquanto caminhas tentando equilibrar-te. Viver exige sempre um risco. Até mesmo quando caminhamos para avançar a única hipótese é criando um desequilíbrio que num próximo passo se tornará equilíbrio. Isto é, precisamos do desequilíbrio para avançar. Da mesma forma estar triste, sofrer e chorar fazem parte do meu caminho de felicidade.

Paula Ascenção

Cronista

Leiga Missionária Comboniana por vocação. Gerontóloga de profissão. Nasci do amor e fiz d’Ele o meu caminho e missão. O meu lema de vida é “Ama e farás o que quiseres”. Peregrina de mim, viajante da vida, do mundo e das pessoas. Levo o coração como bússola e o amor de Deus como mapa no bolso de trás.

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