Do pousio à fecundidade

Crónicas 21 março 2019  •  Tempo de Leitura: 2 min

Cada dia se abrem mil e muitas oportunidades de acrescentarmos vida em nós e em cada pessoa que tocamos. Há festa em nós e no mundo sempre que optamos por crescer enquanto pessoas e entregar o melhor de nós.


As sementes colocadas no coração do ser humano palpitam de alegria e sonham brotar em gestos concretos e reais de proximidade.

 

Com efeito, as bênçãos em nós multiplicam-se e são multiplicadoras cada vez que reconhecemos cada pessoa como um dom (im)perfeito, o céu como tecto, o sol como luz, a chuva como fecundidade, as estrelas como guias, o ar que respiramos que nos lembra o gosto pela vida.

 
Um dia acordamos e é de novo primavera em nós: nascem e crescem os sonhos, e tornam a florir mostrando a certeza de que é preciso viver tempos de pousio e de espera para vermos as flores e os frutos imensos e plurais.

 

A experiência da espera faz-nos surpreendentemente colocar os olhos n’Aquele que, no silêncio, mas sábia e discretamente, faz germinar as sementes. E aí entendemos que uma semente colocada pelo vento nas fendas de uma muralha é capaz de viver.

 

Acreditamos no florescimento da coragem, da entrega, do bem maior, da gratuidade genuína, da fé e da esperança, certos de que depende tão pouco de nós alcançar os frutos desejados.
Somos terra fértil de um Outro Semeador, que, no oculto mas persistentemente, faz de nós obras predilectas do Amor.

 
É tempo de celebrar a vida em nós, que não pede licença para florescer mas quer o nosso compromisso para acontecer.

 

É tempo de celebrar as sementes caídas e nascidas em nós com a certeza de que em cada dia a vida nos oferece uma missão.

 

Não somos material de primeira nem de segunda, nem muito menos descartável: somos matéria única de um sopro divino que nos lança em cada dia para a eternidade.  

Cristina Duarte

Cronista

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