A Quaresma é um tempo triste ou alegre?

Crónicas 12 março 2019  •  Tempo de Leitura: 2 min

Pessoalmente, desde que tenho consciência do meu ser cristão, encaro este tempo favorável como algo um pouco triste. Todos os anos é uma luta interior… O roxo não é das minha cores favoritas… As flores que escasseiam nas nossas igrejas durante esse tempo, são uma predileção… A ausência do Aleluia é-me estranho… E quando passo por aqueles lugares sagrados onde tapam as imagens, fico angustiado… Os dias de jejum aumentam-me o apetite e por vezes apetece-me mandar a abstinência para as "ortigas". Sinto-me mais tentado nestes dias…

 

No entanto, para todo o cristão, acreditar no Evangelho é acolher a Boa Notícia. É a salvação oferecida por Deus misericordioso. Podemos ler nas suas páginas, toda a alegria que vai do nascimento de Jesus até à manhã da Páscoa da ressurreição.

 

E lá faço eu o esforço de reconhecer neste tempo o privilégio de me reaproximar da alegria que nasce da Páscoa. Por isso, procuro ver na Quaresma, não apenas a austeridade e o sentido de culpa pelas minhas faltas e pelos meus pecados, mas a redenção oferecida pela Páscoa do Senhor.

 

A Quaresma não é um fim em si mesma. Se lhe chamamos de tempo favorável, é porque o é de facto! Tempo de me reaproximar da Palavra, do Evangelho, de Jesus. Como salvos e redimidos, vivemos este tempo litúrgico como necessário para um êxodo espiritual que nos leva à conversão (a endireitar as veredas, como o dissemos no Natal) e assim nos prepararmos para o encontro com Cristo. Fomos redimidos por um grande amor. E nem sempre tenho ou temos essa consciência. Por isso tanta tristeza no decorrer dos nossos dias… A meta da Quaresma é a Páscoa.

 

A escuta da Palavra de Deus, quer pessoalmente, quer em comunidade, é a via privilegiada de nos aproximarmos de Jesus e da sua salvação. A oração, o jejum e a esmola são respostas ao dom recebido, ao amor de Deus que, pede-nos para sair das nossas pequenas ou grandes escravidões do nosso "eu" para viver uma experiência autêntica de relação com Ele e com os irmãos.

 

É esta a minha batalha todos os anos: a Quaresma como tempo de regresso ao Senhor. A Quaresma como tempo de profunda conversão do coração…

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

Subscrever Newsletter

Receba os artigos no seu e-mail