O amor que ultrapassa fronteira

Crónicas 11 março 2019  •  Tempo de Leitura: 3 min

“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.” escreveu Carl Jung. “Ama o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22, 39) diz-nos Jesus através do evangelho. São inúmeras as mensagens de amor e paz espalhadas pelo mundo inteiro das mais diversas formas. A fé que nos une, esta crença no amor é a mesma crença de mais milhares ou milhões de pessoas. Chamamos a Deus nomes diferentes. Acreditamos e vemos caminhos diferentes para o amor. Mas no final do dia todos apenas queremos amar e ser amados.

 

Pedro Abrunhosa canta numa das suas canções que a sua religião é o amor. Eu diria que essa é a religião de todas as pessoas. Muito mais é o que nos une do que aquilo que nos separa a diferença está: o que escolhes ver? o que escolhemos alimentar? A história do amor e da violência lembra-me o provérbio indígena: “Dentro de mim, existem dois lobos: o lobo do ódio e o lobo do amor. Ambos disputam o poder sobre mim. E quando me perguntam qual lobo é vencedor, respondo: o que eu alimento”Que alimentamos? O ódio e a violência ou a paz e o amor?

 

Sim o outro é diferente de mim e talvez por isso não o compreenda tão bem. Talvez existam tantas coisas, situações ou pessoas que nos sejam estrangeiras ou estranhas por nunca terem acontecido connosco. Tantas vezes deixamos para lá e ignoramos deixando para um depois que nunca chega.

 

Diz Martin Luther King “o que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”E eu tantas vezes pergunto-me “se estamos todos a gritar porque é que eu não ouço nada”(Mika). Precisamos de ter a consciência real que podia ser eu. Podia ser comigo. Podia ser eu uma das onze mulheres a morrer de violência doméstica. Podia ser eu um dos refugiados em busca de um lugar seguro. Podia ser eu. Podia ser cada um de nós. Quando São Paulo nos fala de sermos um só corpo é a este amor tão grandioso que é capaz de sentir a dor e o sofrimento do outro como seu.

 

“Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.” Então amemos. Amemo-nos tendo consciência que todos somos tudo, que todos somos todos (Rui Maria Pêgo). Amemo-nos sem fronteiras. Amemo-nos ininterruptamente. Amemos.

Paula Ascenção

Cronista

Leiga Missionária Comboniana por vocação. Gerontóloga de profissão. Nasci do amor e fiz d’Ele o meu caminho e missão. O meu lema de vida é “Ama e farás o que quiseres”. Peregrina de mim, viajante da vida, do mundo e das pessoas. Levo o coração como bússola e o amor de Deus como mapa no bolso de trás.

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