Amar como Caminho: essa tarefa difícil…

Crónicas 19 fevereiro 2019  •  Tempo de Leitura: 3 min

Passado mais um dia de São Valentim, devo reconhecer que este ano a data foi "menos violenta" do que em ocasiões anteriores. Talvez por andar ocupado em avaliações e outros projetos de voluntariado ou porque, de facto, esta festa fashion dos apaixonados foi um pouco morna quer em eventos próximos da minha realidade ou em publicidade.

 

Tenho medo que o verdadeiro amor romântico, nesta pós-modernidade líquida e tecnológica, oscile entre estes dois extremos: programas televisivos tipo "casados à primeira" e as aplicações tipo "amore nostrum"…. Parece-me que o verdadeiro namoro e amor romântico esteja doente.

 

De um lado temos diálogos amorosos vazios de conteúdo; sentimentos transformados em espetáculo; amor que se cinge a um procura de beleza externa e vazia de conteúdo; e emoções "à flor da pele". Tudo isto não passa de um jogo.

 

Do outro temos uma aplicações eletrónicas que, como "um tiro no escuro", encontramos alguém para uma relação "mais íntima".

 

O verdadeiro amor, nestes nossos dias, vacilam entre um narcisismo atroz de quem procura a sua alma gémea na TV e os encontros sexuais na internet.

 

Aproveito esta data para falar com adolescentes e jovens sobre o verdadeiro amor. Este ano a provocação inicial foi esta frase: «Hoje o namoro é mais uma experiência sexual do que uma verdadeira experiência afetiva». Na verdade, o "andar com" é mais uma busca de prazer e bem estar momentâneo do que um sentir que se ama e se é amado independentemente de ter prazer ou não.

 

Vivemos um tempo em que, apesar de mais conectados através das redes sociais, dos encontros mais facilitados, assistimos a gabinetes de psicologia e psiquiatria cheios de pacientes com problemas de amor, problemas de autoestima, problemas relacionais, novas solidões e necessidades afetivas insatisfeitas ou não realizadas.

 

Já em tempos escrevi que o namoro, bem como o próprio amor matrimonial, é um caminho. «Namorar é caminhar. Fácil? Não, não é». É uma estrada para percorrerem juntos mesmo que o seu trajeto não seja sempre plano. Existem momentos em que é difícil caminharem juntos e custa. Se cada um procura caminhar com a sua própria passada, corre o risco de perder o outro de vista e jamais se encontrarem. Porém, se se espera pelo outro e até o sustém , torna-se numa caminhada menos dura e mais agradável.

 

O verdadeiro amor romântico reside nesta trilogia: "Ser", "Ser Com" e "Ser Por". Ou seja, este é o verdadeiro desafio de quem ama e quer ser amado. Partir do Eu "Ser", para passar a um Tu "Ser Com" até chegar a um Nós "Ser Por", que é a última e única dimensão que se abre à gratuidade, criatividade e oblatividade.

 

Votos de uma semana verdadeiramente amorosa.

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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